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Profissionais de TI e saúde mental: como as empresas podem apoiar essa relação?

8 min de leitura

Publicado em 17/06/22

Atualizado em Junho 27, 2022

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Se antes a área de TI era vista como uma salinha pequena que respondia apenas por configurações de e-mails e manutenção de computadores, hoje, isso definitivamente não é mais realidade. Assim como aconteceu com o RH — área também percebida anteriormente como operacional —, o setor de tecnologia está no epicentro das transformações e se tornou mais estratégico do que nunca para as organizações. 

Tanto que a demanda por talentos só cresce: no Brasil, de acordo com a Brasscom, serão necessários quase 800 mil talentos entre 2021 e 2025. A formação desse perfil, no entanto, não acompanha a demanda, levando a um cenário de carência de 106 mil pessoas/ano. 

A aceleração tecnológica, a escassez de habilidades e a pressão cada vez maior por inovações e soluções digitais para os negócios formaram uma verdadeira panela de pressão que está minando a saúde mental de profissionais de TI, fazendo com que sentimentos de esgotamento, estresse e ansiedade sejam ainda mais arrebatadores nessas carreiras.   

E as pesquisas apontam nessa direção. O estudo The State of Burnout mostrou que 61% dos profissionais de TI se sentiam esgotados, em 2020. Repetindo a avaliação meses depois, o percentual subiu para 73%. Já a plataforma online de terapia Telavita também identificou que profissionais de TI foram os que mais procuraram apoio psicológico entre março de 2020 e março de 2021. 

Em 2022, o burnout entrou oficialmente para a lista de doenças ocupacionais da OMS (Organização Mundial da Saúde), compartilhando a responsabilidade das empresas em prevenir e cuidar para que colaboradores não desenvolvam transtornos mentais associados ao trabalho. Em um país que está no topo da lista entre os mais ansiosos e depressivos do mundo, o sinal de alerta é claro. 

Para Juliana Silva, Analista de Operações da Experis, linha de negócios em TI do ManpowerGroup, “o home office tem trazido desafios enormes nesse sentido, e o apoio dos profissionais de RH, mesmo que remotamente, é fundamental para que esses profissionais se sintam acolhidos e encorajados a darem o seu melhor”. 

Quando 70% dos profissionais de TI consideram deixar o seu emprego, como o RH pode agir para cuidar da saúde mental dessas pessoas e impactar positivamente a retenção desses talentos? A seguir, veremos algumas diretrizes para serem consideradas na sua organização. Acompanhe!

Cultura e liderança

Estes são alicerces para que o cuidado com a saúde mental seja mantido e cultivado diariamente. Ainda mais considerando que para 90% dos profissionais em geral, o burnout está associado ao estilo de liderança. Portanto, Juliana orienta o olhar atento do RH para como a gestão do dia a dia é realizada.
 

“Existe sobrecarga de trabalho? Cobranças excessivas e metas inalcançáveis? Como é a relação entre líderes e liderados? O fluxo de trabalho está ajudando ou atrapalhando a fluidez das atividades? Tudo isso cria uma atmosfera favorável ou não para o surgimento de problemas de saúde mental.” 

Juliana Silva, Analista de Operações da Experis, linha de negócios em TI do ManpowerGroup 


Além disso, segundo a pesquisa Dice Insights, de 2020, profissionais de TI disseram que a falta de reconhecimento estava ligada ao esgotamento. Nesse sentido, os líderes de tecnologia precisam ser estimulados e preparados para oferecer feedbacks, propor check-ins regulares e até mesmo criar estratégias de gamificação com objetivo de valorizar cada pessoa de seu time.

Identificação de estressores

Enquanto RH, é possível fazer não apenas um diagnóstico, partindo das perguntas acima, mas também construir caminhos para o monitoramento do bem-estar da equipe. Profissionais da área de Pessoas podem criar mecanismos para que líderes e liderados apontem, continuamente, níveis de frustração, de exaustão, de atrito e de ineficiência de processos, para identificar estressores e, assim, recursos para neutralizá-los.

Flexibilidade e autonomia

A demanda por jornadas mais flexíveis é praticamente geral, mas ainda mais presente entre os profissionais de TI. Para 78% dessas pessoas, o trabalho remoto é preferencial mesmo com a retomada aos escritórios. Isso nos leva a uma questão que vem inaugurando uma nova relação com o trabalho: o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

De acordo com a pesquisa I Love My Job, focada no perfil de tecnologia, 55,7% dizem valorizar esse aspecto na experiência profissional. Aqui, voltamos um pouco para a liderança, pois é sabido que o comportamento de gestores e líderes são a referência e a tangibilização dos valores da empresa. Logo, essas pessoas precisam incentivar seus colaboradores ao equilíbrio e à preservação de hábitos e atitudes que contribuem para o bem-estar — sem retaliações posteriores. 

Nesse contexto de flexibilidade vale destacar o papel da autonomia. Acostumados com métodos ágeis e relações mais horizontais no trabalho, profissionais de TI precisam sentir que têm espaço para gerar valor. Para Angelic Gibson, CIO da empresa de tecnologia AvidXchange, “quando nossos processos e políticas estão impedindo alguém de liberar sua energia criativa, isso causa desgaste.” Esse desgaste pode ser a fagulha para problemas maiores.

Comitê de Saúde Mental

Por fim, Juliana, da Experis Brasil, indica que as organizações lancem mão de um núcleo estruturado para tratar da agenda de bem-estar dos colaboradores, incluindo a saúde mental. Nesse espaço, podem ser discutidas estratégias para fazer a empresa ‘respirar’ o assunto. Isso envolve, por exemplo: 

  • criação de comunicações internas; ações de conscientização sobre o tema — já que muitas vezes, transtornos mentais são envoltos de estigmas e preconceitos; 
  • preparo de líderes e colegas para a escuta ativa; 
  • canais de acolhimento; 
  • oferta de suporte psicológico profissional, especialmente em casos mais graves. 

Mais interessante ainda se o grupo for formado por profissionais de RH e também de diferentes áreas da empresa, como a área de TI, para que haja uma visão plural para as propostas e melhoria contínua dos projetos. 

Ainda que toda empresa precise se tornar uma empresa de tecnologia para avançar na transformação digital, não é saudável, nem sustentável, sobrecarregar profissionais de TI com pressões exageradas e jornadas exaustivas de trabalho. Cabe às organizações, contando com a visão humana do RH, ressignificar a relação com o trabalho e propor novos caminhos mais prósperos que combinem produtividade, inovação e geração de valor, sem colocar em risco a saúde mental desses talentos. 

Esperamos que o conteúdo tenha sido útil e possa despertar diálogos positivos na sua organização. Compartilhe com as pessoas em suas redes sociais!

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