Embora tenha sido publicada em 2024 e estivesse vigorando em caráter educativo desde maio de 2025, é somente agora, em maio de 2026, que a nova NR-1 passa a valer de forma efetiva e obrigatória para as empresas.
Isso significa que já não há mais tempo a perder: a adequação deixa de ser uma fase de preparação e configura uma exigência legal que, em caso de descumprimento, pode resultar em autuações, multas e passivos trabalhistas.
Não quer correr nenhum desses riscos? Então, aproveite este artigo para se atualizar sobre as principais mudanças.
O que é a NR-1?
A NR-1 — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais — é a norma regulamentadora que define as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho no Brasil.
Ela foi originalmente publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 1978 e, desde então, funcionou como o ponto de partida para a aplicação das outras NRs.
De modo geral, a NR-1 estabelece como os riscos ocupacionais — ou seja, aqueles que surgem das atividades exercidas no ambiente de trabalho — devem ser identificados, avaliados e controlados pelas empresas.
A norma também traz responsabilidades claras para empregadores e trabalhadores, reforçando que a prevenção é um dever compartilhado.
Por que a NR-1 foi atualizada?
O mercado de trabalho está em constante evolução. Por isso, é natural que as leis e normas que o regulamentam precisem ser atualizadas para acompanhar essas mudanças.
Até agosto de 2024, quando foi publicada a nova versão da NR-1 por meio da Portaria MTE nº 1.419, a norma concentrava-se principalmente na gestão de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos ou relacionados a acidentes.
Com a atualização, porém, o escopo foi ampliado para refletir as novas dinâmicas do ambiente corporativo e responder a um problema cada vez mais presente nas organizações: o adoecimento mental dos trabalhadores.
A relevância desse avanço fica clara quando observamos os dados recentes. Somente em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos do trabalho por questões de saúde mental.
Quais as principais mudanças da nova NR-1?
A nova NR-1 amplia significativamente o olhar sobre a saúde e a segurança no trabalho. Mas o que isso muda, de fato, no dia a dia das empresas?
A principal transformação é a integração dos riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Isso significa que, agora, as organizações são obrigadas a identificar e mitigar fatores que afetam a saúde mental e emocional dos colaboradores com a mesma seriedade dedicada aos riscos físicos ou químicos.
Entre eles, destacam-se questões como o excesso de cobrança, metas abusivas, jornadas prolongadas que levam à sobrecarga de trabalho, falta de apoio da liderança, assédio e ambiente organizacional tóxico.
Ou seja, o que até então era tratado apenas como uma questão comportamental ou cultural se torna, oficialmente, uma responsabilidade legal.
Com isso, os fatores acima precisam estar formalmente contemplados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), com registro, plano de ação e acompanhamento contínuo, garantindo a conformidade.
Paralelamente a essa questão, a nova NR-1 também aborda:
- introdução de novos conceitos e definições relacionados ao gerenciamento de riscos;
- diretrizes atualizadas para identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais;
- incentivo ao papel ativo dos trabalhadores no processo de gerenciamento de riscos;
- inclusão de ações coordenadas de prevenção no PGR, com base na classificação e priorização dos riscos identificados.
Como se preparar para a nova NR-1?
A adequação à NR-1 requer um trabalho coordenado, que envolve desde a equipe de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) até o RH e as lideranças da organização.
Mais do que atualizar documentos, é necessário revisar práticas, fluxos e responsabilidades para garantir que as melhores condutas estejam efetivamente incorporadas à rotina da empresa.
Para o RH, alguns pontos são críticos nesse processo. Confira a seguir.
REVISÃO E FORTALECIMENTO DA GESTÃO DE RISCOS
É fundamental mapear os riscos psicossociais estruturadamente, utilizando dados internos (absenteísmo, turnover, afastamentos e avaliação do clima organizacional) para identificar padrões.
Essa análise, por sua vez, deve resultar em planos de ação concretos, com responsáveis e prazos definidos.
ORGANIZAÇÃO E FORMALIZAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO
A rastreabilidade das informações é essencial para demonstrar conformidade em caso de fiscalização.
Portanto, é preciso ter tudo muito bem registrado: a identificação dos riscos, as avaliações realizadas, as medidas de controle adotadas e o monitoramento contínuo.
INTEGRAÇÃO COM OUTRAS NRs
A NR-1 funciona como base para as demais normas regulamentadoras.
Por isso, é importante garantir que o PGR esteja alinhado às exigências previstas em outras NRs aplicáveis ao negócio, evitando inconsistências.
CAPACITAÇÃO DAS LIDERANÇAS
Líderes despreparados podem, ainda que involuntariamente, se tornarem fontes de riscos psicossociais.
Logo, o sucesso na adequação da nova NR-1 requer investimento em treinamentos contínuos sobre gestão de pessoas, comunicação não violenta, prevenção ao assédio, segurança psicológica e saúde no trabalho.
CRIAÇÃO DE CANAIS SEGUROS DE ESCUTA
Estabelecer mecanismos confidenciais para que colaboradores relatem situações de risco é uma medida estratégica para fazer valer os demais esforços.
Afinal, muitos riscos psicossociais não aparecem em relatórios formais ou indicadores numéricos. Eles se manifestam no dia a dia, na forma como as metas são conduzidas ou como os conflitos são tratados.
Canais de denúncia estruturados, ouvidorias internas e pesquisas de clima recorrentes permitem que a empresa identifique sinais de alerta antes que se transformem em crises internas.
A nova NR-1 marca uma virada de chave importante na forma como as empresas devem encarar a saúde e a segurança no trabalho.
Ao tornar obrigatória a gestão dos riscos psicossociais, a norma reforça que ambientes organizacionais saudáveis não são apenas uma boa prática para engajar e reter talentos. Trata-se de uma responsabilidade formal e inadiável.
Se você quer aprofundar essa conversa e entender como transformar desafio em oportunidade, não deixe de ouvir um episódio sobre Saúde Mental no Trabalho, do podcast Papo de Talento.