O mundo da tecnologia está mudando em ritmo acelerado. Avanços em inteligência artificial (IA), machine learning, blockchain, computação em nuvem e cibersegurança estão transformando como nos conectamos, trabalhamos, colaboramos e inovamos.
Com o trabalho híbrido, talentos diversos ao redor do mundo e a gig economy ganhando força, empresas, governos e profissionais precisam se adaptar rapidamente para acompanhar essa evolução.
A demanda por habilidades técnicas só cresce, impulsionando uma cultura de aprendizado contínuo e investimentos cada vez maiores em desenvolvimento humano e digital.
Neste artigo, vamos mergulhar nas principais tendências que estão moldando o futuro do trabalho em TI e revelar caminhos para quem quer se destacar nesse cenário dinâmico.
Quais tecnologias vão definir os próximos meses? O que está na pauta dos CIOs ao redor do mundo? Como profissionais e empresas podem acompanhar o ritmo da inovação? É hora de olhar para frente e traçar os próximos passos rumo ao futuro do trabalho.
Tendência 1: Cibersegurança continua sendo prioridade
A frequência e a sofisticação dos ataques cibernéticos aumentaram, impulsionadas por tensões geopolíticas e pela proliferação de ferramentas habilitadas por IA. Notícias diárias sobre violações de dados e cibercrimes lembram que esses incidentes não são mais exceções, tornaram-se normais.
À medida que as empresas enfrentam esses riscos elevados, a demanda por profissionais com competências em cibersegurança disparou, gerando uma forte competição por talentos escassos.
Prioridade dos CIOs: entre os desafios atuais de TI, a maioria dos CIOs e líderes tecnológicos ao redor do mundo afirma que a cibersegurança (41%) é sua maior preocupação.
Prejuízo no Brasil: segundo estudo da VULTUS Cybersecurity Ecosystem, ataques cibernéticos devem gerar prejuízos de aproximadamente US$ 394 bilhões (cerca de R$ 2,2 trilhões) para empresas brasileiras nos próximos três anos.
Lacunas de habilidades em cibersegurança: desde 2024, a lacuna de competências em segurança cibernética aumentou 8%, com 66% das organizações relatando dificuldades moderadas a críticas, incluindo a falta de talentos e habilidades essenciais para atender aos requisitos de segurança.
IMPLICAÇÕES PARA A FORÇA DE TRABALHO
A procura por talentos em cibersegurança tende a crescer nos próximos anos e será cada vez mais difícil de suprir. Estima-se que a indústria global precise de 4,8 milhões de profissionais adicionais para lidar com as ameaças crescentes.
Sendo assim, torna-se essencial ampliar os esforços de aprimoramento e requalificação de habilidades em segurança cibernética. Ignorar investimentos na expertise certa pode expor empresas a riscos significativos, comprometendo a proteção da propriedade intelectual, de informações confidenciais dos clientes e da segurança operacional.
Tendência 2: Agentes de mudança em IA
A inteligência artificial está revolucionando a indústria de TI ao transformar as operações de negócios e a maneira como o trabalho é realizado. A Agentic AI, que engloba sistemas autônomos capazes de tomar decisões e executar tarefas sem intervenção humana, está crescendo rapidamente.
Essa tecnologia terá um impacto profundo tanto no setor de TI quanto no futuro do trabalho, permitindo que os profissionais se concentrem em iniciativas estratégicas e promovendo a solução de problemas de maneira inovadora. À medida que os sistemas de IA assumem tarefas rotineiras, a demanda por habilidades especializadas aumentará, exigindo aprendizado e desenvolvimento contínuos.
Desmistificando a Agentic AI: ela leva as capacidades autônomas a um novo patamar ao utilizar um ecossistema digital de grandes modelos de linguagem (LLMs), machine learning e processamento de linguagem natural (NLP) para executar tarefas autônomas em nome do usuário ou de outro sistema. Exemplos iniciais incluem veículos autônomos e assistentes virtuais.
Mais autonomia à frente: até 2028, 33% dos aplicativos de software corporativo incluirão Agentic AI, em comparação com menos de 1% em 2024, permitindo que 15% das decisões do dia a dia sejam tomadas de forma autônoma.
Realismo dos líderes de tecnologia: em um estudo global da Experis sobre a percepção de CIOs e líderes da área, eles foram os que mais afirmaram que a IA é uma solução importante para aplicações específicas (38%).
IMPLICAÇÕES PARA A FORÇA DE TRABALHO
As organizações precisam avaliar quais tarefas são mais adequadas para a Agentic AI e de que forma essa tecnologia pode complementar ou substituir as capacidades da força de trabalho atual.
Por isso, profissionais especializados em tecnologia, com conhecimento tanto em inovação em IA quanto nas demandas do negócio, serão cada vez mais valorizados. A expansão da Agentic AI pode impulsionar a criação de mercados de talentos específicos para inteligência artificial.
Tendência 3: Desafios na adoção da IA
A adoção da IA traz uma série de desafios para os profissionais de TI. As lacunas de competências estão se tornando cada vez mais evidentes, exigindo que esses talentos desenvolvam habilidades em áreas como machine learning, ciência de dados e engenharia de prompts.
Além disso, integrar a IA às infraestruturas já existentes não é simples — demanda conhecimento em compatibilidade, segurança de dados e implementação ética.
Com a rápida evolução dessas tecnologias, as equipes de TI precisam investir em aprendizado contínuo e adaptação constante para acompanhar os avanços e aplicar as melhores práticas.
Integridade dos dados: com a adoção da IA avançando rapidamente, crescem também as preocupações em relação às informações utilizadas. Entre os principais desafios apontados globalmente estão a precisão dos dados (45%) e a escassez de dados proprietários (42%), que afetam diretamente diferentes setores.
Custos e conformidade: empregadores do setor global de TI afirmam que os altos custos (36%) e as preocupações com privacidade e regulamentações (39%) são os principais obstáculos à adoção.
Lacunas de habilidades: quase um terço dos empregadores do setor de TI (29%) diz que seus colaboradores não têm as competências necessárias para usar a inteligência artificial eficazmente.
IMPLICAÇÕES PARA A FORÇA DE TRABALHO
À medida que a adoção da IA nas organizações evolui, a busca por profissionais especializados em inteligência artificial, machine learning e ciência de dados se torna cada vez mais crucial para lidar com os desafios relacionados a dados.
Com a rápida aceleração da inovação, as lacunas de competências se ampliam em diferentes setores e funções, criando uma necessidade urgente de ampliar programas de qualificação e treinamento que preparem talentos para utilizar plenamente essas novas ferramentas.
Tendência 4: Demanda insaciável por data centers
A demanda global por data centers está crescendo rapidamente, impulsionada pelo aumento na produção de dados, pela adoção da computação em nuvem e pela expansão dos dispositivos de Internet das Coisas (IoT).
Com o avanço da transformação digital, estruturas robustas e seguras para armazenamento e processamento de dados tornam-se essenciais. Tecnologias de IA e machine learning intensificam ainda mais essa necessidade, exigindo grande capacidade computacional.
Como resultado, a construção de data centers está em plena expansão no mundo todo, com investimentos voltados tanto para a ampliação de instalações existentes quanto para a criação de novos centros.
Demanda insaciável: a capacidade global de data centers deve crescer 15% ao ano, mas esse ritmo não será suficiente para atender à demanda crescente.
Consumo de energia: a demanda global de energia dos data centers deve aumentar 50% até 2027, podendo chegar a 165% até o fim da década.
Impacto no emprego: somente nos Estados Unidos, o crescimento dos data centers ajudou a criar 4,7 milhões de empregos entre 2017 e 2023, principalmente devido ao impacto em indústrias relacionadas, com cada emprego direto gerando até 7 indiretos nas comunidades locais.
IMPLICAÇÕES PARA A FORÇA DE TRABALHO
Como os data centers costumam ser instalados em áreas rurais, as empresas precisarão adotar estratégias criativas para atrair e reter talentos. Além disso, será fundamental gerenciar bem os custos com a força de trabalho para equilibrar os altos investimentos em infraestrutura.
Esse movimento também pode gerar impactos positivos nas comunidades locais, criando oportunidades para fortalecer a reputação corporativa e agregar valor à marca empregadora.
Tendência 5: "Low-Code, No-Code"
O crescimento de tecnologias low-code e no-code está impactando o mercado de trabalho em TI, criando oportunidades e transformando funções tradicionais.
Essas soluções permitem que profissionais sem formação extensiva em programação desenvolvam aplicativos, automatizem processos e solucionem problemas complexos, aproximando equipes técnicas e não técnicas.
A mudança de paradigma democratiza o desenvolvimento de software e ajuda a enfrentar a escassez de talentos no setor tecnológico.
Crescimento significativo: analistas do setor preveem que a maioria dos novos aplicativos (70%) será desenvolvida utilizando tecnologias low-code ou no-code, um número três vezes maior que o registrado em 2021.
Impulso da IA: mesmo com a integração crescente da IA em diferentes áreas dos negócios, 84% das lideranças de tecnologia afirmam que isso não reduzirá a dependência de soluções low-code e no-code. Pelo contrário, 76% acreditam que a IA tornará essas ferramentas ainda mais eficientes.
Impacto nas habilidades: analistas do setor também preveem que assistentes de codificação baseados em IA vão transformar como as equipes de desenvolvimento de software são estruturadas, colocando em risco cargos de QA e desenvolvedores juniores. De fato, 74% dos profissionais de TI temem que a IA possa tornar algumas de suas habilidades obsoletas.
IMPLICAÇÕES PARA A FORÇA DE TRABALHO
Empregadores e parceiros de treinamento em tecnologia precisam continuar evoluindo seus programas de capacitação para acompanhar a crescente popularidade da inteligência artificial e das plataformas low-code e no-code.
Com essa transformação, as organizações tendem a estruturar equipes de desenvolvimento em torno da IA contando com desenvolvedores sêniores ou arquitetos de software para supervisionar e ajustar códigos gerados por essas ferramentas.
Além disso, essa tecnologia reduz barreiras para o desenvolvimento de aplicações, permitindo que uma parcela maior da força de trabalho participe ativamente da inovação tecnológica.
Tendência 6: A escassez de talentos tech continua
A escassez de talentos em tecnologia é um desafio urgente que continua a impactar organizações em todo o mundo. A demanda por profissionais de TI supera amplamente a oferta disponível, criando uma lacuna significativa que afeta diversos setores.
Essa falta de talentos é impulsionada pelos avanços rápidos da tecnologia e pela constante evolução da área de TI, que exige um fluxo contínuo de profissionais capacitados e atualizados.
À medida que as empresas dependem cada vez mais da tecnologia para inovar e manter sua vantagem competitiva, a dificuldade em encontrar talentos com determinadas habilidades torna-se ainda maior.
Escassez no Brasil e no mundo: apesar da incerteza econômica persistente, a maioria dos empregadores do setor de TI (76%) ao redor do mundo afirma enfrentar dificuldades para encontrar os profissionais de que precisam. No Brasil, o índice chega a 84%.
Encontrar a combinação certa de habilidades: CIOs e líderes de tecnologia apontam que Segurança Cibernética (46%), IA (35%), Computação em Nuvem (34%) e Colaboração e Trabalho em Equipe (23%) serão as habilidades mais importantes nos próximos meses. No entanto, quase metade dos trabalhadores de tecnologia relata não ter recebido treinamento (45%) ou mentoria (48%) nos últimos seis meses.
Trabalhadores planejando novos passos: quase metade dos profissionais do setor de TI (47%) pretende mudar de emprego voluntariamente, e mais de um terço (37%) acredita haver risco de ser demitido involuntariamente.
IMPLICAÇÕES PARA A FORÇA DE TRABALHO
A escassez de talentos em tecnologia não é generalizada, ela se concentra especialmente em cargos altamente especializados, como engenheiros de dados, desenvolvedores sêniores e arquitetos de nuvem. Com isso, a retenção torna-se um fator estratégico essencial.
Um número crescente de profissionais da área já considera mudar voluntariamente de emprego. E esse movimento tem um impacto financeiro significativo: o custo médio global por colaborador perdido é de US$ 18.591, o que significa que altos índices de rotatividade podem representar prejuízos expressivos para as empresas do setor.
Oportunidades para o futuro do trabalho em TI
Agentes de mudança em IA: a inteligência artificial está influenciando todas as áreas do ecossistema tecnológico global. Aproveitar essa capacidade de forma complementar à criatividade da força de trabalho é um caminho para se destacar.
Fechar lacunas de competências: manter o foco em reduzir as lacunas de habilidades tecnológicas será essencial diante da velocidade da inovação.
Vigilância cibernética: com o aumento recorde de cibercrimes, é fundamental manter a cibersegurança como foco estratégico em todos os níveis, começando pelo CIO.
Além do código: muitos trabalhadores de tecnologia precisarão ajustar suas habilidades, saindo da execução para a supervisão, à medida que soluções automatizadas com IA assumem partes do trabalho.
Planejamento estratégico dos talentos: esse planejamento será cada vez mais importante, pois os requisitos dos cargos continuarão evoluindo e os investimentos de capital exigirão maior controle de custos no longo prazo.
A escassez de talentos tech demanda respostas ágeis e estratégicas. Compreender profundamente os desafios e as oportunidades do setor é fundamental para atrair e reter profissionais essenciais ao sucesso das empresas. Por isso, não deixe de conferir também o Estudo Experis CIO Outlook.