Você já abriu as redes sociais em um momento de pausa e ficou com a sensação de que todo mundo estava avançando em alguma coisa — menos você? Essa inquietação constante é um sinal claro do FOMO, um fenômeno cada vez mais comum em uma rotina marcada pela hiperconexão.
A sigla vem do inglês Fear Of Missing Out e define o medo de ficar de fora de experiências, informações ou oportunidades que parecem acontecer o tempo todo, especialmente no ambiente digital.
Ao longo deste artigo, vamos aprofundar os impactos do FOMO no comportamento e apresentar um movimento que propõe o caminho oposto: o Joy Of Missing Out, ou simplesmente JOMO.
O que é FOMO?
FOMO é a sigla para Fear Of Missing Out — ou, em português, o “medo de ficar de fora”. Sejamos sinceros: se você vive no século XXI e tem acesso à internet, é bem provável que já tenha experimentado essa sensação em algum momento.
O FOMO surge da percepção constante de que sempre há algo acontecendo: um evento, um novo meme, uma conquista, uma oportunidade ou uma experiência que parece imperdível. Para não perder nada, nasce a necessidade contínua de estar conectado, atualizado e disponível.
O problema é que esse estado permanente de atenção mantém a mente em alerta mesmo nos momentos em que deveríamos estar descansando.
Embora o medo da exclusão não seja nada novo, a era digital ampliou esse sentimento a níveis sem precedentes. Bastam poucos minutos nas redes sociais para surgir a impressão de que todo mundo está vivendo algo interessante, produtivo ou extraordinário — menos você.
Esse comportamento também se reflete no ambiente corporativo. Uma pesquisa inédita aponta que 72% dos usuários do LinkedIn sofrem de FOMO.
Quais são os impactos psicológicos e profissionais do FOMO?
O principal problema do FOMO é que ele funciona como um ciclo difícil de quebrar.
Estudos indicam que 69% dos Millennials se preocupam em perder eventos importantes caso não consultem as redes sociais. No entanto, esse comportamento acaba reforçando o próprio problema.
Quanto mais a pessoa checa as redes para “não perder nada”, mais estímulos consome, mais comparações faz e maior se torna a sensação de estar sempre atrasada ou em desvantagem.
Com isso, o FOMO se retroalimenta: a ansiedade leva ao uso excessivo das redes, que, por sua vez, intensifica ainda mais a ansiedade.
A seguir, confira os principais impactos negativos desse padrão de comportamento, tanto na vida pessoal quanto profissional.
IMPACTOS PSICOLÓGICOS
- aumento da ansiedade e da sensação constante de urgência;
- dificuldade de relaxar e se desconectar, mesmo nos momentos de descanso;
- comparação excessiva com outras pessoas e queda da autoestima;
- sensação recorrente de inadequação ou insatisfação.
IMPACTOS PROFISSIONAIS
- fragmentação da atenção e perda de foco no trabalho;
- dificuldade em estabelecer limites claros entre vida pessoal e profissional;
- sensação permanente de estar “devendo” ou atrasado;
- maior risco de estresse crônico e burnout.
Diante desses impactos, cresce a busca por formas mais saudáveis de se relacionar com o digital. É nesse contexto que ganha força o JOMO.
A ascensão do JOMO como contraponto a essa lógica
Em termos simples, JOMO significa o “prazer de ficar de fora”.
Em vez de se deixar conduzir pela ansiedade e pela comparação constantes, impulsionadas pelas redes sociais, esse movimento propõe uma relação mais consciente, intencional e equilibrada com o digital.
Na prática, o JOMO convida à escolha deliberada de não estar em todos os lugares, não consumir tudo e não responder a cada estímulo em tempo real.
Ele valoriza a autonomia sobre o próprio tempo e reforça a ideia de que se desconectar, ainda que parcialmente, pode trazer ganhos reais para o bem-estar.
Isso não significa rejeitar a tecnologia, mas usá-la com mais critério. O foco deixa de ser a quantidade de informações consumidas e passa a ser a qualidade das experiências vividas — tanto no on quanto no off.
Dicas práticas para ir do FOMO ao JOMO
Se o conceito de JOMO ainda parece abstrato, a boa notícia é que ele pode ser aplicado no dia a dia com mudanças simples de hábito. A seguir, reunimos algumas ações práticas para sair do campo das ideias e levar essa filosofia para a rotina.
NA VIDA PESSOAL
- Defina momentos de desconexão: estabeleça horários específicos para checar redes sociais e mensagens, evitando o uso automático e sem propósito;
- Questione o impulso de pegar o celular: antes de abrir um aplicativo, pergunte-se se aquilo é uma necessidade real ou apenas um hábito. Limitar o tempo de uso ou remover apps da tela inicial pode ajudar;
- Reduza notificações: menos alertas significam menos interrupções e menor sensação de urgência;
- Valorize o tempo offline: descanso, lazer e presença não precisam ser compartilhados para terem valor.
NO AMBIENTE PROFISSIONAL
- Estabeleça limites de disponibilidade: sempre que possível, alinhe horários de resposta e expectativas com colegas e lideranças;
- Organize prioridades: nem toda mensagem exige resposta imediata. Diferenciar urgência de importância reduz a pressão do dia a dia;
- Evite a multitarefa constante: focar em uma atividade por vez melhora a qualidade das entregas e reduz a sobrecarga mental;
- Normalize pausas: respeitar intervalos e incentivar momentos de descanso contribui para um ambiente de trabalho mais saudável.
Pequenas mudanças como essas já são um excelente ponto de partida para substituir o medo de ficar de fora pelo prazer de escolher onde estar — algo que faz diferença real na saúde mental e na forma como nos relacionamos com o trabalho e o digital.
Se este tema despertou seu interesse, vale a leitura complementar: Menos tela, mais vida: os benefícios do minimalismo digital. Até a próxima!