Com a escassez global de talentos atingindo níveis críticos e o turnover chegando a mais de 50% ao ano no Brasil, nunca fez tanto sentido investir em boas práticas de Employee Experience.
Afinal, quando os colaboradores vivem uma jornada positiva na empresa, eles tendem a se engajar mais e a produzir melhor — tudo o que as organizações precisam para crescer sustentavelmente.
Quer saber mais? Neste artigo, vamos explicar o que é este conceito, por que ele importa e como aplicá-lo no dia a dia.
Quando vamos a um restaurante, nossa experiência não depende só do preço ou do sabor da comida.
Ela também é influenciada pelo ambiente, pela decoração, pela limpeza, pelo conforto das mesas, pela gentileza dos atendentes e até mesmo pelo comportamento de outros clientes ao nosso redor.
No mundo do trabalho, acontece a mesma coisa: tudo o que o colaborador vive na empresa, desde o processo de contratação até o momento do desligamento, molda sua percepção.
É justamente na soma de todas essas vivências que nasce o Employee Experience.
Mais do que criar um ambiente agradável, o Employee Experience garante que o ciclo de vida do colaborador seja coerente, positivo e alinhado aos valores da organização.
É ele que transforma a empresa de um lugar onde as pessoas simplesmente precisam ir em um ambiente onde elas gostam de estar e desejam permanecer.
O sucesso de uma organização passa obrigatoriamente pelas pessoas que fazem parte dela. Afinal, é por meio do trabalho dos colaboradores que as empresas conseguem alcançar suas metas e objetivos.
Mas, para que esses profissionais entreguem os resultados esperados, é fundamental que a jornada deles seja bem cuidada por meio de boas práticas de Employee Experience.
Quando isso de fato acontece, tudo flui melhor e os benefícios para o negócio começam a aparecer, como:
É como se uma coisa alimentasse a outra: a empresa oferece um ambiente de trabalho saudável e estruturado, os colaboradores se sentem valorizados e respondem com mais dedicação.
Essa dedicação, por sua vez, gera melhores resultados para o negócio, reforçando ainda mais a importância de cuidar das pessoas.
Agora que a importância do Employee Experience está clara, vamos à próxima informação que você precisa saber: quais são os fatores determinantes para criar uma vivência positiva.
Jacob Morgan, autor do livro The employee experience advantage, definiu que existem três ambientes decisivos nesse processo. Confira a seguir.
É tudo aquilo que podemos ver e tocar ao nosso redor, como decoração, iluminação, plantas, conforto dos móveis e até a forma como os espaços são distribuídos.
Também fazem parte desse aspecto os recursos que facilitam o dia a dia, como uma copa bem equipada, áreas de descanso, salas silenciosas e infraestrutura adequada.
Mas vale lembrar que, hoje, o conceito de ambiente físico vai além do espaço tradicional de escritório.
Com a valorização da flexibilidade, muitas empresas têm adotado modelos híbridos e repensado seus ambientes para que eles atendam às novas formas de trabalhar.
Isso inclui criar espaços mais colaborativos, áreas abertas para troca entre equipes e ambientes que promovam criatividade, bem-estar e integração — tanto para quem está sempre presencialmente quanto para quem alterna entre casa e escritório.
Em vez de ambientes pensados apenas para a execução de tarefas, a ideia é criar experiências: espaços que estimulam pertencimento, conexão e motivação no dia a dia.
O segundo tipo de ambiente é composto pelas ferramentas e soluções digitais que os colaboradores utilizam para trabalhar: computadores, softwares, aplicativos, sistemas internos, plataformas de comunicação e de aprendizagem.
Basta lembrar de quantas vezes um processo lento, um sistema travado ou uma plataforma confusa já gerou frustração, atrasos ou retrabalho para entender o impacto desse pilar no Employee Experience.
Por outro lado, ferramentas modernas, intuitivas e acessíveis tornam o trabalho mais leve, ágil e produtivo, seja facilitando a comunicação em equipes híbridas, reduzindo burocracias ou liberando as pessoas para atividades mais estratégicas.
Mas atenção: para melhorar esse aspecto, é importante entender as necessidades reais de cada área e oferecer soluções que apoiem o trabalho, desde bons equipamentos até treinamentos frequentes.
Se o ambiente físico é o que vemos e o tecnológico é o que usamos, o ambiente cultural é o que sentimos.
É a “vibe” da empresa: o estilo de liderança, como as pessoas se relacionam, o senso de propósito compartilhado, o clima emocional e os valores que realmente são vividos no dia a dia.
Talvez esse seja o aspecto mais importante da experiência do colaborador. Inclusive, em nossa pesquisa The State of Careers, o fit com a cultura organizacional e a confiança na liderança foram apontados como os fatores que mais garantem o engajamento.
É por isso que as empresas que querem prosperar na era da escassez de talentos precisam olhar para a cultura intencionalmente: revisá-la, fortalecê-la e garantir que ela seja vivida de verdade.
Isso envolve reforçar práticas que promovam segurança psicológica, reconhecimento, comunicação transparente, autonomia, confiança mútua, diversidade, entre outras.
As organizações que quiserem vencer a escassez de talentos precisam olhar com atenção para os três pilares da experiência do colaborador: o ambiente físico, o tecnológico e o cultural. Mas como fazer isso na prática?
A seguir, você confere as etapas fundamentais para desenvolver uma estratégia de Employee Experience consistente na sua organização.
O primeiro passo é entender como os colaboradores percebem a empresa. Vale usar pesquisas internas, formulários anônimos, entrevistas e conversas abertas para mapear:
Em geral, as ferramentas de comunicação interna e de clima organizacional ajudam muito nessa etapa. Quanto mais genuína for essa escuta, mais precisa será a construção da experiência.
Com os dados do diagnóstico em mãos, é hora de desenhar a jornada do colaborador, desde a contratação até o desligamento.
Aqui, o objetivo é identificar oportunidades de melhoria e construir experiências mais positivas em momentos-chave como:
É importante lembrar que o apoio ao desenvolvimento das pessoas tem um impacto enorme na experiência geral dos colaboradores.
Por isso, não deixe de investir em ferramentas como mentorias, programas de capacitação, trilhas de carreira e iniciativas de upskilling e reskilling.
Uma estratégia só ganha força quando sai do papel. Por isso, ao definir prioridades, prazos e ações, garanta que tudo o que for prometido será cumprido.
Alguns pontos importantes para evitar frustração e fortalecer a confiança interna:
A implementação deve ser consistente, coerente e construída com a participação de toda a organização.
O Employee Experience é um processo vivo, e medir seus resultados é primordial para saber se a estratégia está funcionando.
Para isso, acompanhe indicadores como:
Essas métricas mostram o que está funcionando, o que precisa ser ajustado e onde existem novas demandas.
As estratégias de Employee Experience podem e devem evoluir com as mudanças da empresa, das equipes e do mercado de trabalho.
Por isso, mantenha uma cultura de feedback constante entre colaboradores, gestores e RH. Essa troca é importante para corrigir rotas e aprimorar práticas e processos.
Ajustar rotinas, atualizar ferramentas, melhorar rituais de comunicação, repensar políticas internas e incluir novas soluções deve fazer parte da rotina.
No fim das contas, acertar na estratégia de Employee Experience significa criar processos que realmente façam sentido para as pessoas — e isso só acontece quando a organização escuta, planeja, entrega, mede e evolui.
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