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Como os gamers estão desenvolvendo softs skills para o mercado de trabalho

4 min de leitura

Publicado em 04/05/21

O mundo está vivendo um cenário de incertezas e de mudanças diárias, decorrentes da pandemia do novo coronavírus, e seguindo este mesmo fluxo, empresas estão realocando recursos, migrando para o modelo de trabalho remoto ou híbrido e pensando na melhor forma de alcançar um “novo normal mais inteligente”.

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Embora muitos setores estejam lutando para superar a crise econômica e social, o de jogos não é um deles. Com as restrições de deslocamento e viagens, aumento das taxas de desemprego, isolamento social e quarentenas em vigor em todo o mundo, o consumo de games aumentou exponencialmente. No Reino Unido, por exemplo, os gastos anuais com videogames aumentaram expressivamente, alcançando a marca de £4.22 bilhões. Já no Brasil, o faturamento com a venda de consoles cresceu 34,1% e as vendas dos “PC gamer” aumentaram em 75%, segundo dados da revista Valor.

As comunidades gamers estão mais ativas do que nunca e, por isso, o ManpowerGroup estudou esses grupos com a finalidade de identificar talentos com uma das combinações mais procuradas pelas organizações: competências digitais e habilidades sociais. Os jogadores, atuais colaboradores e candidatos a vagas de emprego, utilizam o contexto e desenvolvem soft skills necessárias não só agora, mas também no futuro do trabalho.

UMA PERSPECTIVA DE VIRAR O JOGO

Procurando um colaborador criativo com ótimas habilidades na resolução de problemas? Então, seria aconselhável procurar um jogador ávido do Fortnite ou League of Legends.
Já faz um tempo desde que os games deixaram de ser considerados apenas um passatempo e passaram a ser usados para desenvolver soft skills. Estima-se que cerca de 2,5 bilhões de jogadores do mundo estão aprimorando uma ampla variedade de habilidades, dentre as quais estão: espírito de equipe, colaboração, pensamento crítico e tomada de decisões.

Por outro lado, ainda que o mundo esteja vivendo uma crise socioeconômica sem precedentes, empregadores continuam tendo dificuldades em encontrar profissionais com habilidades compatíveis aos novos cargos. Em 2020, por exemplo, em meio ao lockdown, o Reino Unido teve cerca de 637 mil vagas abertas. A disputa por talentos segue alta e as empresas precisam ser criativas acerca de onde encontrar as características necessárias para a ocupação de posições estratégicas, bem como reconhecer as diferentes formas de desenvolver soft skills.

Desta forma, perceber os games como um dos caminhos possíveis para encontrar, atrair e, principalmente, reter talentos já pode ser considerado uma jogada de mestre. À exemplo, a Nestlé é uma das organizações que adotou o modelo de gamificação, aplicando este nas primeiras etapas do processo seletivo de trainees no Brasil, de modo que o currículo só é analisado na última fase da seleção, a fim de garantir maior imparcialidade e reconhecer os candidatos por suas competências e não só pela jornada acadêmica.

GANHANDO AS COMPETÊNCIAS HUMANAS DO FUTURO

Jogos aprimoram as habilidades técnicas. Porém, também desenvolvem soft skills que, em um contexto de automação, são tidas como valiosas ao mercado de trabalho, uma vez que, com a revolução tecnológica, as máquinas já realizam tarefas rotineiras. De igual modo, as chamadas hard skills são mais fáceis de serem ensinadas, enquanto as características sociais são difíceis de encontrar e ainda mais difíceis de treinar – 43% dos empregadores dizem encontrar dificuldades em ensinar as soft skills que procuram.

Neste sentido, os jogadores que desenvolvem soft skills trazem à mesa das organizações boas competências digitais e, principalmente, o pensamento crítico aprimorado, a criatividade, a inteligência emocional, a capacidade de aprender e resolver problemas complexos. Considerando este aspecto, esse grupo de pessoas pode, portanto, ajudar a preencher as lacunas do mercado de trabalho que exigem as habilidades humanas do futuro.

APRENDIZAGEM CONTÍNUA EM AÇÃO

O ato de jogar ajuda o cérebro a criar melhores modelos cognitivos, facilitando a previsão e reação diante de novas situações, além de estimular o aprendizado contínuo – uma das características demandadas diante de um cenário de constantes mudanças. Além disso, após desenvolver soft skills por meio dos games é possível transferi-las ao mundo corporativo, utilizando aptidões como cooperação, pensamento estratégico, consciência das escolhas e consequências para entregar melhores resultados a uma organização.

Um exemplo da aplicação dos jogos na esfera corporativa é a Komplett, um e-commerce global que reforçou o seu grupo de atendimento com funcionários gamers capazes de realizar multitarefas e trabalhar em vários canais. A empresa ainda constatou que alguns jogadores assumem naturalmente papéis de liderança no local de trabalho, razão pela qual muitos atingiram o nível de gestão.

APERTE O PLAY

Diferentes tipos de jogos podem ser utilizados com o objetivo de desenvolver soft skills. Os games multiplayer, por exemplo, permitem às pessoas cultivarem habilidades de colaboração, comunicação e liderança, enquanto os jogos de estratégia têm maior probabilidade de enfatizar a resolução de problemas e o pensamento lateral.

O    analisou cerca de 11000 jogos de 13 gêneros com o propósito de identificar as principais soft skills desenvolvidas em cada categoria e, em seguida, mapear as habilidades utilizadas na esfera profissional. Confira o resultado:

  • Estratégia, quebra-cabeça e quiz: Os jogadores desenvolvem soft skills como planejamento, criatividade, concentração e persistência. A resolução de problemas está no cerne dos jogos que exigem aos gamers abordagens estratégicas para avançar ao próximo nível. Ademais, há um aprimoramento da capacidade de fazer inferências e pensar sistematicamente acerca da resolução dos desafios, contribuindo, portanto, com o desenvolvimento do pensamento crítico e analítico.

Exemplos: League of Legends, Portal, Dota.

  • Ação, aventura e RPG: Os ambientes virtuais multiplayer refletem como o jogo se tornou mais social. Os games baseados em ação ajudam a desenvolver soft skills de colaboração, trabalho em equipe, comunicação, deliberação e tomada de decisões.

Exemplos: Fortnite, Overwatch, Tomb Raider.

  • Mundo aberto: Permitem aos os usuários circularem livremente, propiciando espaço para criar e aprimorar a percepção social e desenvolver soft skills visuais-espaciais – a capacidade de visualizar o movimento de objetos no espaço -, características indispensáveis em carreiras de ciência e engenharia.

Exemplos: Witcher 3, Minecraft.

  • Em equipe, esportes e corrida: Jogos em equipe são ótimos para desenvolver soft skills de planejamento e tática, colaboração, avaliação de sistemas, enfrentamento de adversidades e consciência espacial.

Exemplos: FIFA, NBA, Need for Speed.

  • Indie e música: Normalmente os usuários nunca esperam vencer um desafio de música ou dança do começo ao fim em sua primeira tentativa. E é justamente essa capacidade de aprendizagem, o desejo de crescer rapidamente e desenvolver soft skills que são tidos como valiosos aos olhos dos empregadores. A regra é clara: esperar a perfeição apenas leva ao fracasso; por outro lado, a persistência e a prática levam a um nível mais alto.

Exemplos: Cuphead, Unravel, Rock Band.

CARTAS NA MESA

A atual geração de gamers está desenvolvendo soft skills altamente demandadas pelas empresas. Por isso, crescem as avaliações baseadas em jogos, permitindo práticas de contratação diversificadas e inclusivas, uma vez que lidam com dados e, portanto, são “cegas” quanto à raça, gênero, deficiência e orientação sexual do candidato. Do mesmo modo, diante de uma era digital, utilizar a tecnologia e inovar em processos internos é primordial. Neste sentido, empregadores e candidatos tendem a reconhecer cada vez mais os benefícios dos games no que se refere à diversidade e inclusão, bem como ao fato das aplicações reais dos jogos terem o potencial de aportar soft skills valiosas aos locais de trabalho nos quais a demanda por talentos qualificados já seja uma realidade.

Para conhecer outros caminhos possíveis para ser um desenvolvedor de talentos, clique aqui e confira o artigo que preparamos para você.  

 

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