<img height="1" width="1" style="display:none" src="https://www.facebook.com/tr?id=680782996107910&amp;ev=PageView&amp;noscript=1">

Por que o Brainstorming funciona melhor online

5 min de leitura

Publicado em 30/03/20

Aproveite para descansar os olhos e ouça esse conteúdo! Clique no play abaixo!

 

No final dos anos 80, Peter Drucker previu que, num futuro próximo, a tecnologia teria um papel central no aumento da eficácia das equipes. Embora ele estivesse certo, as equipes ainda precisam vivenciar todos os benefícios da tecnologia. Sim, fala-se muito sobre equipes virtuais e ferramentas colaborativas, mas nossa capacidade de aproveitar a tecnologia para potencializar o desempenho da equipe de forma consistente e sistemática baseia-se mais na intuição do que na ciência. 

Uma exceção é o brainstorming em grupo. Essa técnica ainda é amplamente usada nas organizações, apesar da falta de evidências sobre o seu funcionamento e provas convincentes de que, na verdade, ela leva à perda de produtividade. A boa notícia é que a tecnologia pode tornar o brainstorming mais eficaz, substituindo sessões físicas e orais por sessões virtuais e escritas – uma técnica também conhecida como brainwriting ou brainstorming eletrônico.

De fato, os estudos que comparam o desempenho de grupos em sessões físicas e virtuais indicam que as últimas geram ideias com qualidade superior e uma média mais elevada de ideias criativas por pessoa, e resultam em níveis mais altos de satisfação com as ideias. Conforme demonstrado em meta-análises, o brainstorming virtual melhora o desempenho criativo – em comparação às sessões presenciais de brainstorming – em quase 50% da variante padrão. Isto significa que quase 70% dos participantes podem ter um desempenho pior em sessões tradicionais do que em sessões de brainstorming virtuais.

As vantagens do brainstorming virtual são atribuídas a três razões principais.

A primeira é o fato de que o brainstorming virtual elimina o bloqueio da produção, um processo no qual os participantes dominantes falam demais e controlam a sessão eclipsando os colegas.  Isto leva a uma sobrecarga cognitiva e impede a geração de ideias criativas pelos participantes mais introvertidos. No brainstorming virtual, existe uma relação clara e positiva entre o tamanho do grupo e o seu desempenho, enquanto nas sessões presenciais tradicionais de brainstorming, as coisas tendem a ficar confusas com mais de seis participantes. Online, não existem limites reais para o tamanho do grupo: o custo de se ter 5 ou 50 participantes é quase o mesmo, e, na verdade, há economia de custos ao permitir que as pessoas trabalhem remotamente e em locais dispersos. Portanto, o brainstorming virtual é muito mais escalável, e cada pessoa adicionada tem o potencial de contribuir com novas ideias.

A segunda razão é que o brainstorming virtual permite uma sensação de anonimato, uma vez que as ideias não podem ser atribuídas a uma pessoa específica. Isto reduz a apreensão da avaliação, particularmente em indivíduos menos confiantes e que teriam um desempenho inferior em sessões de brainstorming tradicionais. O anonimato também permite que as ideias sejam julgadas mais objetivamente. Nas sessões tradicionais, o processo é tão tendencioso e político como em qualquer outra interação física em grupo – as pessoas poderosas dominam e, embora teoricamente democráticas, de fato, as decisões são dirigidas por um ou dois indivíduos poderosos. Por outro lado, quando os membros da equipe classificam as ideias anonimamente e sem conhecimento do autor, a política fica fora da questão. Um exemplo disto é o site textsfromlastnight, que permite que os usuários enviem, anonimamente, mensagens de texto não convencionais, as quais são, então, classificadas – como boas ou ruins – por outros usuários anônimos. Seria bom se as organizações seguissem o seguinte processo: ter um local de depósito virtual live e em tempo real de ideias para novos produtos, serviços ou processos que podem ser classificados ou avaliados por outros funcionários, e talvez até por clientes. 

A terceira razão é que, quando desenvolvidas de forma inteligente, as sessões virtuais podem aumentar a diversidade de ideias. No brainstorming tradicional, ficar exposto às ideias dos outros resulta em uniformidade e regressão à média: as pessoas mais criativas descem ao nível da média do grupo. Porém, ao impedir que os participantes fiquem expostos às ideias dos outros durante a fase de geração de ideias, o brainstorming virtual estimula os participantes a oferecerem uma ampla variedade de ideias. Assim, estudos mostraram que o brainstorming individual, no qual as pessoas anotam alguns pensamentos no papel, frequentemente produz mais e melhores ideias do que o brainstorming em grupo.  O brainstorming virtual preserva este mecanismo, e oferece um arquivo de busca de ideias que serão ponderadas pela equipe posteriormente. 

Portanto, o brainstorming virtual mantém o postulado original do brainstorming tradicional – segundo o qual as equipes podem contribuir colaborativamente (“crowdsource”) para a criatividade, monitorando as ideias produzidas coletivamente em sessões informais, com fluxo livre e fluxo de consciência –, e supera as principais barreiras não previstas originalmente. 

*Artigo de autoria de Tomas Chamorro-Premuzic, Chief Talent Scientist do ManpowerGroup, originalmente publicado no site da Harvard Business Review.

Deixar comentário