Blog ManpowerGroup Brasil

FOMO x JOMO: duas formas de viver o digital

Escrito por ManpowerGroup Brasil | 02/02/26

Você já abriu as redes sociais em um momento de pausa e ficou com a sensação de que todo mundo estava avançando em alguma coisa — menos você? Essa inquietação constante é um sinal claro do FOMO, um fenômeno cada vez mais comum em uma rotina marcada pela hiperconexão.

A sigla vem do inglês Fear Of Missing Out e define o medo de ficar de fora de experiências, informações ou oportunidades que parecem acontecer o tempo todo, especialmente no ambiente digital. 

Ao longo deste artigo, vamos aprofundar os impactos do FOMO no comportamento e apresentar um movimento que propõe o caminho oposto: o Joy Of Missing Out, ou simplesmente JOMO.

O que é FOMO?

FOMO é a sigla para Fear Of Missing Out — ou, em português, o “medo de ficar de fora”. Sejamos sinceros: se você vive no século XXI e tem acesso à internet, é bem provável que já tenha experimentado essa sensação em algum momento. 

O FOMO surge da percepção constante de que sempre há algo acontecendo: um evento, um novo meme, uma conquista, uma oportunidade ou uma experiência que parece imperdível. Para não perder nada, nasce a necessidade contínua de estar conectado, atualizado e disponível. 

O problema é que esse estado permanente de atenção mantém a mente em alerta mesmo nos momentos em que deveríamos estar descansando. 

Embora o medo da exclusão não seja nada novo, a era digital ampliou esse sentimento a níveis sem precedentes. Bastam poucos minutos nas redes sociais para surgir a impressão de que todo mundo está vivendo algo interessante, produtivo ou extraordinário — menos você. 

Esse comportamento também se reflete no ambiente corporativo. Uma pesquisa inédita aponta que 72% dos usuários do LinkedIn sofrem de FOMO.

Quais são os impactos psicológicos e profissionais do FOMO?

O principal problema do FOMO é que ele funciona como um ciclo difícil de quebrar. 

Estudos indicam que 69% dos Millennials se preocupam em perder eventos importantes caso não consultem as redes sociais. No entanto, esse comportamento acaba reforçando o próprio problema. 

Quanto mais a pessoa checa as redes para “não perder nada”, mais estímulos consome, mais comparações faz e maior se torna a sensação de estar sempre atrasada ou em desvantagem. 

Com isso, o FOMO se retroalimenta: a ansiedade leva ao uso excessivo das redes, que, por sua vez, intensifica ainda mais a ansiedade.

A seguir, confira os principais impactos negativos desse padrão de comportamento, tanto na vida pessoal quanto profissional. 

IMPACTOS PSICOLÓGICOS 

  • aumento da ansiedade e da sensação constante de urgência; 
  • dificuldade de relaxar e se desconectar, mesmo nos momentos de descanso; 
  • comparação excessiva com outras pessoas e queda da autoestima; 
  • sensação recorrente de inadequação ou insatisfação. 

IMPACTOS PROFISSIONAIS 

  • fragmentação da atenção e perda de foco no trabalho; 
  • dificuldade em estabelecer limites claros entre vida pessoal e profissional; 
  • sensação permanente de estar “devendo” ou atrasado; 
  • maior risco de estresse crônico e burnout. 

Diante desses impactos, cresce a busca por formas mais saudáveis de se relacionar com o digital. É nesse contexto que ganha força o JOMO.

A ascensão do JOMO como contraponto a essa lógica

Em termos simples, JOMO significa o “prazer de ficar de fora”. 

Em vez de se deixar conduzir pela ansiedade e pela comparação constantes, impulsionadas pelas redes sociais, esse movimento propõe uma relação mais consciente, intencional e equilibrada com o digital. 

Na prática, o JOMO convida à escolha deliberada de não estar em todos os lugares, não consumir tudo e não responder a cada estímulo em tempo real. 

Ele valoriza a autonomia sobre o próprio tempo e reforça a ideia de que se desconectar, ainda que parcialmente, pode trazer ganhos reais para o bem-estar. 

Isso não significa rejeitar a tecnologia, mas usá-la com mais critério. O foco deixa de ser a quantidade de informações consumidas e passa a ser a qualidade das experiências vividas — tanto no on quanto no off. 

Dicas práticas para ir do FOMO ao JOMO

Se o conceito de JOMO ainda parece abstrato, a boa notícia é que ele pode ser aplicado no dia a dia com mudanças simples de hábito. A seguir, reunimos algumas ações práticas para sair do campo das ideias e levar essa filosofia para a rotina. 

NA VIDA PESSOAL 

  • Defina momentos de desconexão: estabeleça horários específicos para checar redes sociais e mensagens, evitando o uso automático e sem propósito; 
  • Questione o impulso de pegar o celular: antes de abrir um aplicativo, pergunte-se se aquilo é uma necessidade real ou apenas um hábito. Limitar o tempo de uso ou remover apps da tela inicial pode ajudar; 
  • Reduza notificações: menos alertas significam menos interrupções e menor sensação de urgência; 
  • Valorize o tempo offline: descanso, lazer e presença não precisam ser compartilhados para terem valor. 

NO AMBIENTE PROFISSIONAL 

  • Estabeleça limites de disponibilidade: sempre que possível, alinhe horários de resposta e expectativas com colegas e lideranças; 
  • Organize prioridades: nem toda mensagem exige resposta imediata. Diferenciar urgência de importância reduz a pressão do dia a dia; 
  • Evite a multitarefa constante: focar em uma atividade por vez melhora a qualidade das entregas e reduz a sobrecarga mental; 
  • Normalize pausas: respeitar intervalos e incentivar momentos de descanso contribui para um ambiente de trabalho mais saudável. 

Pequenas mudanças como essas já são um excelente ponto de partida para substituir o medo de ficar de fora pelo prazer de escolher onde estar — algo que faz diferença real na saúde mental e na forma como nos relacionamos com o trabalho e o digital. 

Se este tema despertou seu interesse, vale a leitura complementar: Menos tela, mais vida: os benefícios do minimalismo digital. Até a próxima!