Contar com colaboradores comprometidos e engajados é o objetivo de toda empresa. Mas, em meio a essa busca, é preciso atenção: há uma linha tênue que separa esse perfil da pessoa workaholic.
Embora o vício em trabalho não conste na Classificação Internacional de Doenças (CID), ele pode, sim, se tornar um problema que afeta a saúde física e mental do colaborador. Um exemplo fácil é a Síndrome de Burnout, que já acomete ao menos 30% dos brasileiros.
Diante deste contexto, o papel do RH e das lideranças é primordial: o de gerenciar efetivamente os colaboradores que trabalham demais e promover uma cultura organizacional que preza pelo bem-estar das equipes.
Ao longo deste artigo, falaremos mais sobre esses pontos e traremos dicas de como lidar de forma empática e eficaz com esses profissionais. Boa leitura!
Traduzindo para o português, o termo “workaholic” significa “viciado em trabalho”.
Ele foi utilizado, pela primeira vez, em 1947, em uma publicação cômica de um jornal canadense, a partir da união de duas outras palavras: “work” (trabalho) e “alcoholic” (alcoólatra).
Desde então, passou a ser usado para descrever pessoas que desenvolvem uma relação de obsessão com o trabalho, dedicando a maior parte do seu tempo e energia à carreira — mesmo em detrimento de outras áreas importantes da vida, como família e lazer.
Por mais que a dedicação e o comprometimento com o trabalho sejam altamente valorizados, eles podem facilmente gerar consequências negativas quando se transformam em um padrão de comportamento compulsivo.
Entre os efeitos que o trabalho em excesso traz, principalmente em médio e longo prazos, estão:
Como já mencionamos, trabalhar demais também pode levar ao esgotamento, mais conhecido como Burnout — um estado de exaustão física, emocional e mental que resulta justamente de situações de trabalho desgastante.
Classificado pela OMS como doença ocupacional desde 2022, o Burnout também afeta o dia a dia das empresas, causando desde o afastamento e o turnover de colaboradores até a redução da produtividade e da performance.
Aliás, esse tema nunca esteve tão em evidência: os afastamentos por transtorno de saúde mental mais que dobraram em 2025. Já os casos de Burnout, especificamente, aumentaram quase 1000% de 2014 a 2023.
É imprescindível que as empresas estejam atentas aos efeitos negativos do trabalho em excesso e adotem medidas para prevenir que ele aconteça.
Mas, antes disso, é preciso saber identificar quando um colaborador está indo além dos seus limites e responsabilidades.
Embora os sinais possam variar de uma pessoa para outra, há alguns comportamentos que merecem atenção, como:
Profissionais de RH e lideranças de equipe desempenham um papel fundamental na identificação e no cuidado de profissionais workaholics, mas muitos têm dúvidas de por onde começar.
Se esse é o seu caso, veja algumas estratégias que podem ajudar a prevenir e a tratar os problemas nesta frente.
Saber acolher e ouvir o trabalhador workaholic é uma das formas mais efetivas de ajudá-lo. Afinal, estamos falando sobre uma mentalidade difícil de ser mudada de uma hora para outra, principalmente se a mudança for feita de maneira impositiva.
Para que essa escuta seja efetiva, RH e lideranças precisam atuar conjuntamente. Algumas boas práticas incluem:
Para lidar com comportamentos workaholics, é fundamental que RH e lideranças comuniquem (e pratiquem) expectativas claras sobre equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Alguns exemplos são:
Estar ciente da carga de trabalho dos colaboradores é a melhor forma de evitar jornadas extenuantes.
Além de acompanhar o controle de ponto, também é possível realizar avaliações periódicas a fim de mapear se os profissionais estão se sentindo sobrecarregados.
A partir daí, a missão do RH, em conjunto com as lideranças, será pensar em maneiras de distribuir melhor as tarefas e as responsabilidades entre a equipe.
Assim como as avaliações de carga de trabalho, as pesquisas de satisfação interna são excelentes ferramentas para a gestão de pessoas.
Por meio de perguntas específicas sobre bem-estar e saúde mental, é possível receber feedbacks de como os colaboradores se sentem e identificar os pontos de atenção antes que eles se tornem desafios maiores.
Aqui estão alguns exemplos de questões que podem ser incluídas:
Profissionais com perfil workaholic tendem a associar valor pessoal à performance e, por isso, podem sentir culpa quando não entregam resultados além do esperado.
Com o tempo, esse comportamento cria um ciclo de autoexigência excessiva e desgaste emocional — mas isso pode ser quebrado quando o RH e as lideranças encontram formas consistentes de valorizar o desempenho dos colaboradores.
Reconhecer um bom trabalho ajuda a reduzir a pressão do dia a dia, reforçando a ideia de que resultados sustentáveis não dependem de jornadas excessivas, mas de foco, clareza de prioridades e equilíbrio.
Outra estratégia válida é incentivar a aprendizagem pessoal dos talentos, oferecendo oportunidades de treinamento e desenvolvimento de habilidades que melhorem o desempenho deles.
Esse tipo de prática fortalece a confiança dos colaboradores, amplia a percepção de competência e reduz a pressão por trabalhar excessivamente para atender às expectativas da empresa, favorecendo uma relação mais sustentável com o trabalho.
Em casos mais críticos, nos quais o comportamento workaholic já impacta diretamente a saúde do colaborador ou o clima do time, é fundamental que RH e lideranças atuem de forma rápida e responsável.
Nessas situações, algumas ações são essenciais:
Lidar com profissionais workaholics pode ser um desafio para o RH. Mas existem várias estratégias eficazes que, quando implementadas, ajudam a promover um ambiente de trabalho mais saudável e equilibrado para todos os colaboradores.
Estabelecer limites, promover a delegação de tarefas e oferecer um canal de comunicação aberto são algumas das medidas que visam reduzir a pressão para trabalhar excessivamente e melhorar a saúde física e emocional dos colaboradores.
Ao colocá-las em prática, a empresa pode colher benefícios significativos, incluindo o aumento da produtividade, uma equipe mais feliz e motivada e uma cultura organizacional mais sustentável.
Agora que os riscos associados ao colaborador workaholic foram apresentados, aproveite para aprofundar essa reflexão no artigo sobre microcultura. Nele, mostramos como pequenos rituais do dia a dia podem impactar a dinâmica da sua empresa.