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People Analytics: conheça o RH voltado a dados | Blog ManpowerGroup

Escrito por ManpowerGroup Brasil | 26/01/21

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A velocidade das mudanças no mundo dos negócios exige uma atuação cada vez mais estratégica das organizações. E dentro do atual cenário de inovações tecnológicas, não há nada mais valioso do que saber coletar e trabalhar com dados.  

Enquanto Big Data deixou de ser uma novidade na maioria dos setores das empresas, outros, como o RH, ainda têm dificuldades em encontrar o equilíbrio entre números e pessoas. É neste sentido que o People Analytics foi criado.  

O uso de informações para orientar ações já era uma prática conhecida, mas não era usada para analisar justamente o mais importante: os colaboradores. Neste artigo, vamos explicar o que é o People Analytics, sua importância para as empresas e como formar um RH orientado a dados.  

Confira! 

O que é People Analytics? 

O LinkedIn, por meio de uma pesquisa global sobre tendências para gestão de talentos, apontou que o setor de Recursos Humanos, cada dia mais, está tomando decisões baseadas em números: houve um crescimento de 242% de profissionais da área com habilidade de análise de dados nos últimos 5 anos.  

De acordo com Ben Waber, especialista em People Analytics, “quando usamos dados para entender os comportamentos dentro do ambiente de trabalho que tornam as pessoas eficientes, felizes, criativas, especialistas, líderes, seguidores, enfim, estamos usando People Analytics”. 

Mas vamos direto ao ponto: People Analytics é uma metodologia baseada na coleta e análise de dados aplicada à gestão de pessoas.  

Utilizando softwares e outras ferramentas, é possível coletar, organizar, cruzar e diagnosticar informações sobre a força de trabalho, otimizando a rotina do RH para que se torne possível tomar decisões mais embasadas e certeiras. 

O People Analytics, portanto, permite acompanhar informações que, anos atrás, pareciam pouco precisas, como engajamento, produtividade e satisfação das pessoas. 

Só precisamos ressaltar que o Big Data de People Analytics não deve ser usado para criar um sistema de cobrança de desempenho, mas sim para buscar soluções que melhorem o ambiente da empresa, a satisfação dos talentos e, por consequência, os resultados da organização. 

COMO SURGIU O PEOPLE ANALYTICS? 

Foi o Google que popularizou o termo People Analytics.  

No início dos anos 2000, a empresa entendeu que poderia utilizar dados para encontrar novos funcionários. O primeiro passo, então, foi mapear características comuns entre os talentos que já trabalhavam lá e elaborar um “modelo” de profissional que se encaixaria mais facilmente nos processos do dia a dia.  

Com o passar do tempo, compreenderam que os dados coletados e organizados poderiam servir para muito mais, até mesmo relacionar ações comportamentais que faziam que com determinados colaboradores atuassem com mais motivação em cada departamento.  

QUAL O CENÁRIO DO PEOPLE ANALYTICS NO BRASIL?  

O People Analytics pode facilitar vários desafios que o RH enfrenta hoje nas empresas brasileiras, mas, ainda assim, somente 17% das organizações consultam e utilizam dados para a tomada de decisões estratégicas ou para planejar os próximos passos, de acordo com estudo da PwC 

Para a maioria das empresas que participaram da pesquisa (58%), People Analytics é pouco usado na hora de tomar uma decisão ou serve apenas como base para ações internas da área de RH. O panorama, portanto, ainda permite muitas melhorias, e é por isso que a metodologia segue sendo apontada como uma das grandes tendências do setor 

Qual a importância do People Analytics? 

Agora que já sabemos o que é People Analytics e como anda a inserção dessa metodologia nas empresas brasileiras, vamos entender como a coleta e a análise de dados podem trazer melhorias para as organizações em diferentes níveis. 

RETENÇÃO DE TALENTOS 

Ao analisar dados mais a fundo, é possível prever possíveis insatisfações e corrigir problemas que antes nem seriam percebidos, mantendo os colaboradores motivados e satisfeitos dentro da companhia. O People Analytics pode apontar, por exemplo, em quanto tempo um funcionário irá pedir demissão ou qual é o motivo da alta rotatividade em uma determinada equipe.  

AUMENTO DE PRODUTIVIDADE 

Profissionais satisfeitos com o trabalho e com a empresa onde atuam produzem mais. Ao encontrar padrões dentro do People Analytics é possível tomar decisões que impactam diretamente a produtividade geral da organização. Além disso, o Big Data permite olhar caso a caso e estabelecer metas e estratégias para cada talento, focando em necessidades e potenciais diferentes. 

MELHORA NA LIDERANÇA 

Os líderes de uma companhia também podem ter melhor desempenho com o People Analytics. O RH consegue, ao utilizar Big Data, munir os responsáveis por equipes com dados sobre como seu perfil de liderança tem afetado positiva ou negativamente os liderados e possíveis pontos de melhoria para o hoje e o amanhã. 

DESEMPENHO DO RH 

O People Analytics permite ao RH não só um desempenho melhor, mas uma maneira mais tangível de apresentar resultados para a organização. Com Big Data, é possível criar KPIs e traçar planos para alcançar as metas. 

Além disso, com todos os dados automatizados, os profissionais de RH têm maior liberdade para utilizar seu tempo de maneira mais estratégica, buscando novas ideias e aplicando os insights para a melhoria da empresa. 

REDUÇÃO DE CUSTOS 

Acessar dados tão preciosos, com certeza, ajuda as organizações a reduzirem custos. Afinal, cada decisão pode ser tomada conforme a realidade da empresa. Fazer uma contratação corretamente alinhada à vaga ou evitar que um colaborador se sinta desmotivado a ponto de pedir demissão são exemplos simples de economia.  

Tem mais: uma pesquisa da Visier indicou que organizações que investem fortemente na análise de suas pessoas podem superar as margens de lucro de empresas emergentes em até 56%. 

CLIMA ORGANIZACIONAL 

O que os colaboradores estão pensando sobre as suas tarefas e a empresa? Quais melhorias eles gostariam de experimentar? Por que pedem demissão? Todas essas dúvidas podem ser respondidas a partir de pesquisas de clima e a análise dos dados coletados. Inclusive, a organização pode optar por começar atuando com amostras de funcionários para que todas as estratégias sejam traçadas corretamente.  

CONTRATAÇÕES CERTAS 

Tendo dados para se basear, as equipes de RH conseguem entender precisamente qual talento vai se encaixar em cada oportunidade aberta na empresa, avaliando corretamente soft e hard skills e quem dá match com a cultura organizacional, o que também influencia na taxa de retenção que trouxemos anteriormente. 

MAIS QUALIDADE DE VIDA 

Além de todas as melhorias que já citamos, precisamos falar sobre a qualidade de vida dos colaboradores. O People Analytics também permite interpretar as diferentes percepções que os trabalhadores têm sobre o espaço profissional e, a partir disso, o RH pode implementar melhorias para a saúde física e mental de todos.  

Big Data: quais os benefícios de olhar para mais dados? 

Quando falamos de Big Data, estamos falando de tomada de decisão. Em áreas consideradas humanas, por muito tempo os rumos foram decididos com base em aspectos menos tácitos, como experiência, percepções ou até o chamado “feeling”.  

Embora a expertise dos profissionais de gestão não deva ser ignorada, o Big Data permite que as pessoas responsáveis pelas tomadas de decisão tenham ao seu dispor muito mais informações para guiá-las em uma direção correta. 

Um exemplo bastante conhecido deste casamento entre experiência pessoal e Big Data está no filme Moneyball – O Homem Que Mudou o Jogo, baseado em uma história real.  

O personagem Billy Beane, vivido por Brad Pitt, é um manager de carreira modesta, mas excelente negociador, que decide apostar na fórmula utilizada por um analista de desempenho para montar sua equipe de baseball.  

Mesmo com menos recursos financeiros, mas utilizando dados que estavam disponíveis e que não eram analisados por outros comandantes, ele consegue levar seu time a um recorde de vitórias consecutivas.  

Nos anos seguintes, a maioria das equipes de baseball dos Estados Unidos já estava analisando jogadores da mesma maneira que o talentoso Billy Beane. 

INDICADORES MAIS ACOMPANHADOS COM A CHEGADA DO PEOPLE ANALYTICS 

Na pesquisa HR Innovation, de 2022, 55,7% dos profissionais de Recursos Humanos indicaram que utilizam KPIs no dia a dia: em primeiro lugar, com 45,9% das respostas, está a taxa de rotatividade; em segundo, com 42,9%, a avaliação de desempenho dos colaboradores e, fechando o pódio, com 42,5%, estão os custos com folha de pagamento.  

Quais tipos de informações o People Analytics pode trazer? 

O People Analytics, como vimos até aqui, é o uso aplicado de dados, análises e insights sobre as pessoas de uma organização, para que as decisões tenham um embasamento melhor. Mas com tantos números sendo avaliados, é importante entender que o analytics pode trazer resultados com diferentes tipos de informações:  

  • Descritiva: as informações descrevem um evento que já aconteceu; 
  • Diagnóstica: os dados são usados para apurar as causas de um problema, e geralmente envolve estatísticas; 
  • Preditiva: quando os números extraídos de dados antigos ajudam na previsão de eventos futuros; 
  • Prescritiva: pode-se obter uma perspectiva de problemas futuros, minimizando o impacto nas pessoas, mas essa é uma fase já avançada do People Analytics e envolve especialistas. 

Como o People Analytics pode ser implementado na minha empresa?

Empresas de qualquer setor ou tamanho podem implementar o People Analytics na rotina da equipe de RH. Afinal, o grande objetivo desta metodologia é coletar e analisar os dados dos colaboradores para gerar melhorias em diferentes frentes, o que acaba por impulsionar, também, os resultados da organização.  

O primeiro passo, então, para formar um RH orientado a dados é que toda a equipe compreenda que as decisões, a partir de determinado momento, serão tomadas com base nos números e nas informações avaliadas.  

Confira, a seguir, algumas dicas de como implementar a metodologia na sua empresa. 

1. DEFINA OBJETIVOS 

Antes de mais nada, a equipe de RH precisa definir com qual finalidade os dados serão analisados: só assim cada profissional vai entender para quais números olhar. A primeira pergunta desse processo pode ser, por exemplo, “o que precisamos melhorar?”.  

A partir dessa lista de melhorias, será importante definir prioridades. Toda a equipe pode refletir, vamos exemplificar novamente, se é mais relevante agora treinar os talentos que já estão na empresa ou se preferem desenvolver um novo formato de processo seletivo.  

2. CONTE COM PROFISSIONAIS QUALIFICADOS 

Para começar a colocar as melhorias em prática, a equipe vai precisar de pelo menos um profissional estratégico e que saiba transformar os números em informações valiosas. É importante que esse talento tenha habilidades analíticas e críticas e entenda do mercado de atuação da empresa.  

3. ESCOLHA UMA FERRAMENTA  

Várias marcas especialistas oferecem soluções para a implantação de People Analytics nas organizações. Vale pesquisar e encontrar um modelo de software que atenda aos objetivos e metas da equipe com eficiência e um preço que se encaixa no orçamento.  

Se isso não for possível logo no início, é importante que todos os envolvidos no projeto de implantação se organizem e desenvolvam métodos práticos para armazenar e analisar os dados, como planilhas padronizadas. 

Conheça alguns softwares para People Analytics: 

  • Team Culture: solução que mensura a efetividade das ações na gestão de pessoas em tempo real. 
  • DNA Persona: ferramenta de análise comportamental e de desenvolvimento de inteligência emocional. 
  • Qulture.Rocks: plataforma web e mobile de gestão de desempenho, com ferramentas de avaliação, metas e OKRs, 1:1s e feedbacks instantâneos. 
  • Engage: game de aprendizagem com altos índices de participação dos colaboradores, permite estruturar os principais processos de desenvolvimento da organização. 

4. COMECE COM OS DADOS QUE JÁ EXISTEM 

Os primeiros insights podem ser gerados a partir dos dados dos colaboradores que já estão disponíveis. A equipe pode começar avaliando, por exemplo, como está o plano de carreira dos talentos que trabalham na empresa há mais tempo. 

5. COLETE NOVOS DADOS 

Os primeiros dados a serem coletados precisam ser relevantes para as metas definidas lá no início da implementação do People Analytics. É importante, nessa etapa, que a equipe tenha em mente que nem sempre um número e um acontecimento estão diretamente ligados, então, é preciso encontrar em quais dados as respostas podem estar.  

6. ANALISE OS DADOS 

Chegou a hora de, realmente, analisar e cruzar os números para encontrar melhorias que impactem o capital humano da empresa. E essa também é a hora de deixar o “achismo” de lado e se concentrar nas informações obtidas para que novas decisões sejam tomadas. 

7. APLIQUE MUDANÇAS 

O próximo passo é intervir, de fato, na organização: as primeiras mudanças devem ser colocadas em prática. É extremamente importante, a partir desse ponto, que todos os resultados sejam mensurados para que a equipe de RH entenda se as transformações estão gerando as experiências esperadas. Vale entrevistar líderes e colaboradores para registrar as percepções de cada pessoa.  

8. DÊ CONTINUIDADE AOS PROCESSOS 

O People Analytics traz resultados quando aplicado continuamente. Isso quer dizer que a empresa precisa coletar e analisar dados o tempo todo. O ciclo a seguir precisa funcionar sistematicamente: 

  • Coleta: colher números e reunir informações que serão utilizados pela equipe de RH; 
  • Cálculo: organizar e estruturar tudo que foi coletado, facilitando o próximo passo; 
  • Análise: avaliar os dados, encontrar tendências e tomar decisões, permitindo que a empresa seja impactada positivamente; 
  • Modelagem: cruzar tudo que foi reunido nas etapas anteriores, incluindo a avaliação das mudanças que já foram realizadas. 

O que é tendência quando falamos de People Analytics? 

O People Analytics, apesar de já bastante difundido, faz parte da nova era de tecnologias criadas para facilitar a nossa rotina; e divide espaço, por exemplo, com a chegada da IA (inteligência artificial) nas empresas.  

Veja algumas tendências que merecem atenção nos próximos meses: 

TEMPO REAL 

A análise e o acompanhamento da força de trabalho precisam ser realizados constantemente, como dissemos há pouco. Mas é possível acompanhar tantas mudanças? Aí entra nossa primeira tendência: os sentimentos e resultados de cada colaborador poderão ser analisados em tempo real por meio de ferramentas que operam continuamente.  

DE OLHO NA PRODUTIVIDADE 

Em um futuro próximo, o People Analytics vai ajudar as empresas a desenvolver processos que promovam a produtividade. Tudo a partir da análise das principais características dos colaboradores mais engajados e com melhor desempenho. E claro, essas informações serão relevantes também para contratações mais corretas.  

A ORGANIZAÇÃO É UMA REDE 

Além de acompanhar cada colaborador individualmente, o People Analytics permite que a força de trabalho seja avaliada em grupos, equipes ou redes. Ou seja, a organização ganha, de fato, o status de ecossistema para que os pontos de melhoria sejam encontrados e colocados em prática. 

LGPD 

Muitas empresas ainda estão se adaptando à Lei Geral de Proteção de Dados. Contudo, ela influencia no People Analytics a partir do momento que a organização é responsável por cuidar de todos os dados dos colaboradores.  

IA E MACHINE LEARNING  

A inteligência artificial e a aprendizagem automática, com certeza, já estão impactando o People Analytics. Novos algoritmos conseguem processar dados que, até pouco tempo, praticamente nem eram vistos.  

Isso faz com que os times de RH passem a ter nas mãos informações aprofundadas de todos os seus colaboradores, o que permite que a seleção e a retenção sejam muito mais eficientes e sem desvios. Contudo, o fator humano, como os valores de um candidato, ainda precisa ser avaliado a partir da expertise de cada profissional envolvido nas admissões.  

Para finalizar o artigo, trazemos uma última reflexão: “Assim como o genoma humano foi decodificado por meio do trabalho compartilhado entre diversos acadêmicos, nós deveríamos compartilhar o que estamos aprendendo com People Analytics. Não são as descobertas que tornam sua empresa única, mas o que você faz com elas”. 

O conselho acima é do estrategista Josh Bersin, que lida diariamente com People Analytics e novas descobertas para o RH. Sua ideia é que todos os líderes e profissionais de Recursos Humanos saibam como compartilhar informações que possam transformar a Gestão de Talentos, permitindo que outras empresas aprendam a lidar com suas pessoas de forma mais humana. 

Agora que você já está por dentro das vantagens de contar com People Analytics na sua empresa, que tal conversar com a equipe de consultoria da Right Management da Talent Solutions, nossa solução global de gestão de talentos?