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Pesquisa de Escassez de Talentos 2026

13 min de leitura

Publicado em 20/02/26

Atualizado em Fevereiro 20, 2026

A escassez de talentos segue como um dos principais desafios do mercado de trabalho em 2026. O tema deixou de ser pontual e passou a refletir uma transformação estrutural nas dinâmicas de contratação e desenvolvimento de pessoas.

Hoje, a dificuldade não está apenas na disponibilidade de profissionais, mas na convergência entre as competências exigidas pelas empresas e as habilidades efetivamente encontradas no mercado.

Mudanças no perfil das funções, aceleração tecnológica, novas expectativas dos profissionais e a evolução dos modelos de trabalho tornaram o cenário mais complexo.

Se antes o foco estava em preencher vagas, agora ele está em garantir o alinhamento entre habilidades técnicas, competências comportamentais e capacidade de adaptação a um ambiente em constante transformação.

 

Escassez Global de Talentos

Em 2026, a média global de escassez de talentos alcança 72%, confirmando que a dificuldade de contratação continua sendo uma realidade predominante no mercado de trabalho. Ainda que represente uma leve melhora em relação ao ano anterior (74%), o índice permanece alto e distribuído desigualmente entre os países.

Evolução percentual de 2006 a 2026, chegando a 72%

*A Pesquisa de Escassez de Talentos não foi realizada em 2017 e 2020.

 

QUAIS PAÍSES ENFRENTAM OS MAIORES DESAFIOS?

Os empregadores da Eslováquia (87%), Grécia (84%) e Japão (84%) reportam os níveis mais altos de dificuldade para encontrar profissionais, seguidos por mercados como Alemanha (83%), Índia (82%) e Portugal (82%).

O Brasil, com 80%, posiciona-se acima da média global e entre os países com maior intensidade de escassez, refletindo um mercado aquecido e, ao mesmo tempo, um descompasso persistente entre oferta de competências e demandas empresariais.

Na outra ponta, China (48%), Polônia (57%) e Finlândia (60%) aparecem como os mercados menos propensos a relatar dificuldades significativas. Ainda assim, mesmo nesses contextos, o desafio não desaparece.

Comparação global entre países, média geral apresentada como 72%

O panorama global reforça que a escassez de talentos não é um fenômeno restrito a determinados mercados. Ela se consolida como uma tensão estrutural que atravessa economias desenvolvidas e emergentes, exigindo das organizações estratégias cada vez mais integradas e sofisticadas de atração, desenvolvimento e retenção.

 

Escassez de Talentos no Brasil

A trajetória da escassez de talentos no Brasil ao longo da última década revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho.

Em 2014, 63% dos empregadores já relatavam dificuldade para contratar. O índice recuou nos anos seguintes — 61% em 2015 e 43% em 2016 — refletindo um período de retração econômica e maior disponibilidade de profissionais no mercado.

Já em 2018 (34%), observa-se o ponto mais baixo da série recente. No entanto, o cenário muda significativamente a partir de 2019, quando o índice sobe para 52%, e se intensifica no pós-pandemia: 71% em 2021 e 81% em 2022.

Desde então, o Brasil permanece em um patamar historicamente elevado. Foram 80% em 2023, 80% em 2024, 81% em 2025 e agora 80% em 2026.

Gráfico de 2014 a 2026 mostrando crescimento até 80%

*A Pesquisa de Escassez de Talentos não foi realizada em 2017 e 2020.

 

O dado atual não representa uma ruptura, mas sim uma consolidação. A escassez de talentos deixou de ser um fenômeno cíclico para se tornar parte da dinâmica estrutural do mercado brasileiro.

Essa estabilidade em nível elevado indica que o desafio já não está apenas na retomada econômica, mas na transformação das competências exigidas, na digitalização acelerada e na crescente demanda por perfis híbridos — que combinam domínio técnico e habilidades comportamentais.

 

Escassez de Talentos por porte de empresa

A análise por porte de empresa mostra que a escassez de talentos é transversal, mas se intensifica conforme as organizações ganham escala.

No cenário global, empresas com menos de 10 colaboradores registram 64% de dificuldade para contratar. À medida que o porte aumenta, o índice também sobe: 72% entre empresas de 10 a 49 colaboradores, 73% entre 50 e 249, e 72% entre 250 e 999.

O pico aparece nas organizações de médio e grande porte: 75% nas empresas com 1.000 a 4.999 colaboradores e 74% nas que possuem mais de 5.000 colaboradores.

Percentuais por porte de empresa variam de 64% a 75%

Escassez de Talentos por porte de empresa no Brasil

No Brasil, o cenário é ainda mais acentuado. Mesmo entre microempresas (menos de 10 colaboradores), 71% já relatam dificuldade para contratar — número próximo da média global total.

Percentuais por tamanho de empresa no Brasil, até 90%

O dado mais expressivo aparece nas organizações com 1.000 a 4.999 colaboradores: 90% relatam dificuldade para encontrar talentos. Trata-se do maior índice entre todos os recortes analisados no país. Entre empresas com mais de 5.000 colaboradores, o percentual permanece elevado, em 82%.

 

A ESCASSEZ SE TORNA MAIS INTENSA NOS PRINCIPAIS POLOS BRASILEIROS

A análise regional confirma que a escassez de talentos no Brasil está diretamente associada aos centros de maior dinamismo econômico.

O estado de São Paulo lidera o ranking nacional, com 88% dos empregadores relatando dificuldade para contratar. O dado evidencia a forte competição por profissionais qualificados no principal hub econômico do país, onde a concentração de empresas, investimentos e inovação eleva a disputa por talentos.

Na sequência aparecem Minas Gerais (85%) e Rio de Janeiro (80%), reforçando que estados com grande densidade industrial e diversificação setorial tendem a enfrentar maior pressão na contratação.

A cidade de São Paulo, isoladamente, registra 79%, ligeiramente abaixo do índice estadual, podendo indicar que a escassez se distribui por polos industriais e tecnológicos fora da capital.

Percentuais regionais, com São Paulo liderando com 88%

 

Escassez de Talentos nos principais setores econômicos

A escassez de talentos em 2026 atinge todos os setores analisados globalmente, mas com diferentes níveis de intensidade.

No cenário global, o setor de Informação lidera o ranking, com 75% dos empregadores relatando dificuldade para contratar. Em seguida aparecem Hospitalidade (74%) e Setor Público, Saúde & Serviços Sociais (74%).

O panorama global reforça que setores intensivos em tecnologia, conhecimento especializado e interação humana estão entre os mais pressionados.

Percentuais por setor variam de 68% a 75% em diferentes indústrias

 

Escassez de Talentos nos principais setores econômicos do Brasil

No Brasil, o cenário apresenta diferenças relevantes.

O setor de Serviços Profissionais, Científicos & Técnicos lidera com 85%, indicando forte dificuldade na contratação de perfis especializados. Na sequência, aparecem Informação (83%) e um grupo amplo de setores com índices próximos — todos em 79%: Comércio & Logística, Hospitalidade, Manufatura, Serviços Públicos & Recursos Naturais e Setor Público, Saúde & Serviços Sociais.

etores apresentam índices de 71% a 85%, com destaque para serviços técnicos

O fato de todos os setores estarem acima de 70% indica que a escassez não é localizada — ela é sistêmica. A diferença está no tipo de talento em falta.

 

Habilidades mais buscadas pelos empregadores

Globalmente, as habilidades técnicas mais difíceis de encontrar estão diretamente ligadas à inteligência artificial e à especialização. O Desenvolvimento de modelos e aplicações de IA lidera, seguido por Letramento em IA e Engenharia, além de áreas como Marketing e Vendas e Manufatura e Produção.

Os dados indicam que não se trata apenas de buscar profissionais de tecnologia, mas talentos capazes de aplicar soluções digitais de forma estratégica ao negócio.

Entre as habilidades comportamentais, destacam-se comunicação e colaboração, profissionalismo e ética, adaptabilidade, pensamento crítico e gestão do tempo. Mesmo em um ambiente cada vez mais tecnológico, o diferencial permanece humano.

Principais hard e soft skills demandadas, com destaque para IA e colaboração

Habilidades mais buscadas pelos empregadores brasileiros

No Brasil, o padrão se mantém, mas com diferenças relevantes.

Entre as hard skills, Desenvolvimento de modelos e aplicações de IA e Letramento em IA continuam no topo, reforçando a pressão por competências ligadas à transformação digital.

No entanto, ganham destaque também TI e Dados, além de Front office e Atendimento ao Cliente e Marketing e Vendas, indicando que a escassez atinge tanto áreas técnicas quanto funções diretamente ligadas à experiência do cliente.

No campo das soft skills, o Brasil apresenta uma inversão interessante em relação ao cenário global: profissionalismo e ética no trabalho lideram como a competência comportamental mais valorizada, seguidos por comunicação e colaboração, adaptabilidade, pensamento crítico e alfabetização digital.

O destaque para letramento digital entre as soft skills sugere que, no contexto brasileiro, a familiaridade com tecnologia já é entendida como competência transversal — não apenas técnica, mas comportamental.

Hard e soft skills mais difíceis de encontrar e mais importantes no mercado

Como as empresas estão respondendo à escassez de talentos?

Diante de um cenário de escassez persistente, as empresas estão ajustando suas estratégias de atração e retenção. A principal conclusão é clara: o foco está cada vez mais no desenvolvimento interno e menos na substituição de talentos no mercado.

Globalmente, a principal estratégia adotada pelos empregadores é upskilling e reskilling dos colaboradores atuais (27%). O dado indica uma mudança estrutural diante da dificuldade de encontrar profissionais prontos, já que as organizações optam por desenvolver as competências de quem faz parte da equipe.

Ranking brasileiro de estratégias, com upskilling em 27%

E as empresas brasileiras?

No Brasil, o desenvolvimento interno é prioridade, com 44% dos empregadores apontando upskilling e reskilling como principal estratégia, um índice significativamente superior ao global (27%).

Ranking de estratégias de RH, com upskilling liderando com 44%

Com índices elevados globalmente e no Brasil, a escassez exige uma abordagem mais estratégica, que combine desenvolvimento interno, ampliação do acesso a talentos, revisão de modelos de trabalho e fortalecimento das competências que realmente impulsionam o desempenho organizacional.

Mais do que reagir à falta de profissionais, as empresas que se destacam são aquelas que transformam esse cenário em oportunidade — investindo em qualificação contínua, cultura de aprendizagem e soluções inovadoras para atração e retenção.

A Pesquisa de Escassez de Talentos 2026 foi realizada com mais de 39 mil empregadores em 41 países, incluindo 1.020 entrevistas no Brasil. Conte com a expertise e as soluções do ManpowerGroup para potencializar sua estratégia de gestão de talentos.

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