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Está na hora de falar sobre o metaverso?

8 min de leitura

Publicado em 16/05/22

Atualizado em Maio 30, 2022

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Sempre que uma nova tecnologia surge, logo o tema se espalha e ganha a atenção da mídia e de profissionais de diversas áreas, especulando sobre o potencial da novidade em reformular os comportamentos e os negócios. Com o metaverso não foi diferente. A perspectiva de que em um futuro próximo poderemos imergir em um ambiente virtual e este ser o local para encontrar amigos, trabalhar e, enfim, ter uma vida, reverberou e foi amplificada por empresas que já começaram a se mover para esse novo mundo que se apresenta. 

Ao longo da história, a criação de técnicas e de tecnologias, de fato, contribuiu fortemente para o desenvolvimento e o significado do trabalho na sociedade. No entanto, nesta altura complexa e com tantas dimensões sendo reconfiguradas, pergunto-me se não existem outros debates e investimentos mais urgentes que podem ser abafados diante de uma janela que se abriu. Ou seja, está mesmo na hora de falar e pensar em metaverso no âmbito corporativo quando questões mais basilares estão há tempos convocando organizações a agir? 

Estou falando de desafios que, de alguma maneira, têm suas raízes na cultura, nas problemáticas sociais, na responsabilidade ambiental e também na revolução 4.0, os quais sendo encarados com afinco podem gerar impactos mais significativos para o mundo e para as pessoas. Com base nos estudos que o ManpowerGroup vem realizando nos últimos anos, destaco aqui alguns tópicos que enxergo como os mais imprescindíveis de serem tratados com (mais) atenção por líderes e profissionais de gestão de pessoas, antes de ingressarem em novas empreitadas. 

Começo pela própria transformação digital e as demandas que ela traz – demandas que, diga-se de passagem, têm muito mais a ver com pessoas do que com tecnologias em si. A (re)qualificação da força de trabalho é a mais relevante: a escassez de talentos atingiu níveis recordes em 15 anos – chegou a 69%* –; e 58% de todos os colaboradores precisarão de novas habilidades para realizar seus trabalhos*. Sem as competências humanas e tecnológicas adequadas para este contexto, profissionais podem ficar sem empregos de forma sustentável, e empresas correm risco de estarem condenadas à estagnação ou até ao encerramento das atividades. Assim, economias inteiras são abaladas. 

Se estamos falando de dificuldades cada vez maiores em contratar, impossível as organizações não se preocuparem também com a retenção de profissionais. Como fruto da digitalização, catalisada nos últimos anos pela pandemia, novos modelos de trabalho surgiram, destravando diferentes necessidades e desejos nas pessoas. E desse protagonismo dos trabalhadores surgem fenômenos como as demissões voluntárias, que vimos nos Estados Unidos e por aqui, provocando o RH e as lideranças a repensarem sua proposta de valor (EVP) ao oferecer mais flexibilidade, autonomia e benefícios de qualidade de vida – se quiserem vencer a disputa pelos melhores talentos.
 

49% dos trabalhadores mudariam de organização para terem maior bem-estar. 

Fonte: ManpowerGroup | The Great Realization 


Quando temos um país com os mais altos níveis de depressão
11,3% dos brasileiros relataram ter recebido  o diagnóstico, segundo dados da Pesquisa Vigitel 2021 , é ainda mais primordial empresas apoiarem pessoas no cuidado com a saúde mental, contribuindo para minimizar um problema que afeta a população de forma evidente. 

Na trilha da atração e retenção, trabalhadores e consumidores estão cada vez mais conectados às demandas socioambientais – e cobram as empresas por isso. Ações sustentáveis, éticas e socialmente responsáveis alcançaram a mente de executivos e executivas, mas precisam ir para as mãos e os braços. De acordo com o levantamento da FSB Pesquisa, 60% das empresas entrevistadas não têm definida uma estratégia de sustentabilidade e, apesar de 80% acreditarem que questões sociais são importantes, apenas 22% realizam gestão das práticas e temas relacionados ao ESG. 

Diversidade, equidade e inclusão entram como vigas de sustentação para esse movimento. Em um recorte de gênero, as mulheres foram as mais negativamente afetadas com a crise sanitária, retrocedendo a participação feminina no mercado de trabalho e refletindo em 51% delas estarem menos otimistas sobre suas perspectivas de carreira do que antes da pandemia*. Nesse ponto, o presente e o futuro devem abrir espaço para um acolhimento maior da maternidade, em uma visão de trabalho que apoie a família e o equilíbrio dessa responsabilidade. Isso significa tomar iniciativas de licença parental e assistencial, por exemplo. O que vemos, no entanto, é que menos de 1% das companhias no Brasil oferecem a licenças maternidade e paternidade estendidas, de acordo com a consultoria Gênero Número. 

Retomando o avanço da transformação digital associada a estes chamados, precisamos preparar os líderes para conduzir equipes e organizações. Hoje, as lideranças devem combinar uma visão estratégica, humana, criativa, analítica para lidar com engajamento de colaboradores e colaboradoras – seja no modelo presencial ou remoto; representar uma cultura orientada por valores; usufruir do poder dos dados; acompanhar a velocidade de soluções e inovações; além de contar com uma dose de ousadia para navegar pelo incerto. A liderança, em si, deve seguir a lógica digital.
  

7 EM CADA 10 TRABALHADORES dizem que ter líderes em que possam confiar e seguir é importante para eles. 

Fonte: ManpowerGroup | The Great Realization  


Essas são apenas algumas das necessidades já apontadas para o mundo do trabalho progredir em linha com os desafios contemporâneos e futuros. Sabemos que as respostas para essa e outras questões não são simples, imediatas e superficiais – pelo contrário. Justamente por isso, entendo ser mais interessante para as organizações concentrarem seus esforços em mudanças anunciadas, trabalhá-las de forma consistente, passo a passo, conquistando maiores níveis de maturidade antes de seguir por outros caminhos a serem desbravados. O metaverso, provavelmente, terá seu momento de se estabelecer como uma nova forma de interação social e profissional
só não podemos correr o risco de continuar por lá o que precisamos resolver, primeiro, aqui. 

Se você quer se munir de informações e dados sobre as transformações do mundo do trabalho, te convido a acessar o material desenvolvido pelo ManpowerGroup, The Great Realization: o futuro do trabalho é agora, sobre a oportunidade de alcançarmos mudanças reais, profundas e felizes, ao realizar ações no presente. 

Espero que este artigo tenha contribuído para a sua reflexão e sigo aqui para continuarmos esta conversa.  

Até breve! 

Nilson Pereira 

Country Manager do ManpowerGroup Brasil 

*Fonte: The Great Realization: o futuro do trabalho é agora

Publicado originalmente em: https://bit.ly/3wnWCUZ

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