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Redesenho de funções: quando e por que repensar os cargos na empresa

Escrito por ManpowerGroup Brasil | 07/04/26

Tecnologia avançando em ritmo acelerado, novos modelos de trabalho se consolidando e competências se tornando obsoletas em poucos anos. Diante desse cenário, manter cargos exatamente como foram desenhados no passado pode ser um risco estratégico.

É por isso que o redesenho de funções vem ganhando espaço nas organizações — e a tendência é que esse movimento se intensifique com a evolução da inteligência artificial. Não por acaso, o tema aparece entre os destaques do Relatório de Tendências Globais 2026, do ManpowerGroup.

A questão já não é mais se as empresas precisarão repensar seus cargos, mas quando e como fazer isso de maneira estruturada. Para apoiar essa decisão, reunimos neste artigo os principais pontos que sua organização precisa considerar.

Vamos lá?

O que é o redesenho de funções?

O redesenho de funções é o processo de revisar e reorganizar cargos em uma empresa, ajustando desde as responsabilidades, as atividades e as competências necessárias até a forma como o trabalho é distribuído.

Ou seja: diferentemente de uma simples atualização de descrição de cargo, essa estratégia de gestão de pessoas busca repensar o que deve ser feito, por quem, com quais habilidades e com quais recursos.

Em geral, seu objetivo é tornar o trabalho mais eficiente, claro e aderente ao futuro da organização, equilibrando tecnologia, produtividade e desenvolvimento de talentos.

Por que o redesenho de funções se tornou tão necessário?

A reconfiguração de funções já é tida como uma tendência do futuro do trabalho.

Isso tem a ver, sobretudo, com o avanço acelerado da inteligência artificial (IA) — que não está apenas automatizando tarefas repetitivas, mas transformando a lógica de como as atividades são executadas nas organizações.

Nosso relatório global indica uma transição: as empresas estão deixando o uso informal e experimental da IA para adotar uma abordagem direcionada por fluxos de trabalho, onde a tecnologia é integrada a funções humanas estrategicamente redesenhadas.

Sem esse alinhamento entre tecnologia e competências, o resultado pode ser sobreposição de esforços, perda de eficiência e, principalmente, a subutilização do potencial humano.

Quando o redesenho é feito de forma estruturada, por outro lado, a empresa consegue definir com clareza:

  • quais atividades devem ser automatizadas;
  • quais exigem supervisão ou validação humana;
  • quais demandam competências analíticas, criativas ou estratégicas;
  • como organizar fluxos mais integrados entre pessoas e sistemas.

Em vez de simplesmente adicionar tecnologia às rotinas atuais, o redesenho de funções permite criar um modelo mais coerente, no qual cada papel é pensado considerando a complementaridade.

Como saber se é o momento de repensar os cargos?

Identificar a hora certa de redesenhar funções nem sempre é simples.

Embora a incorporação de novas ferramentas, especialmente soluções baseadas em IA, seja um bom indício, há outros fatores organizacionais e comportamentais que servem como termômetros:

  • mudanças na estratégia ou no modelo de negócios;
  • sobrecarga constante em determinadas posições;
  • ociosidade ou baixa utilização de competências;
  • retrabalho frequente e conflitos de responsabilidade;
  • dificuldade para atrair ou reter talentos em determinadas posições;
  • exigência crescente por novas habilidades.

O momento de repensar os cargos chega quando existe uma lacuna entre as demandas atuais da organização e a forma como as funções estão estruturadas.

Impactos do redesenho de funções

Mesmo devendo contar com um direcionamento claro do RH e da alta liderança, o redesenho de funções acontece principalmente no nível departamental — onde as atividades são executadas e os fluxos realmente ganham forma.

Em outras palavras, trata-se de um processo criterioso, orientado por objetivos, que também exige colaboração entre líderes e colaboradores. A seguir, destacamos as implicações práticas desse movimento para cada público diretamente envolvido:

PARA O RH

  • planejamento mais estratégico da força de trabalho, considerando a divisão de atividades entre humanos e IA;
  • revisão de competências e trilhas de desenvolvimento, com foco em habilidades digitais, mas também naquelas que são difíceis de automatizar;
  • atualização de recrutamento e sucessão, alinhando perfis às novas funções;
  • gestão da mudança, apoiando comunicação e adaptação interna.

PARA AS LIDERANÇAS

  • redefinição clara de responsabilidades e entregas na área, avaliando inclusive o nível de hierarquia realmente necessário e viável;
  • ajustes contínuos nos fluxos de trabalho à medida que novas ferramentas surgem, são incorporadas e evoluem;
  • incentivo ao desenvolvimento de competências que a IA não substitui, como julgamento ético e relacionamento com clientes;
  • acompanhamento de desempenho com foco em geração de valor e impacto estratégico.

PARA OS COLABORADORES

  • liberação da sobrecarga de tarefas burocráticas, favorecendo o foco em atividades mais interessantes e criativas;
  • possibilidade de cocriar sua nova função, sinalizando quais partes do seu trabalho agregam mais valor e onde a tecnologia pode oferecer suporte;
  • necessidade de desenvolver novas competências técnicas e comportamentais, acompanhada pela ampliação das possibilidades de crescimento e qualificação profissional.

Conforme a inteligência artificial evolui e faz parte dos fluxos operacionais, as organizações precisam garantir que seus cargos estejam estruturados para extrair o melhor da união entre pessoas e tecnologia.

O redesenho de funções desponta como uma das principais estratégias para viabilizar essa integração de forma estruturada e sustentável. Mas seu sucesso depende de uma atuação integrada:

  • o RH fornece a bússola estratégica;
  • as lideranças orquestram a execução no dia a dia;
  • os colaboradores assumem o protagonismo de suas novas trajetórias.

Se você quer aprofundar essa discussão ou conhecer outras mudanças previstas, acesse o Relatório de Tendências Globais 2026: A Vantagem Humana.